13
Nov 18

Do lado esquerdo, o molhe norte, a Barra, o molhe sul, o Cabedelo, do outro lado, na Outra Margem, o Farol de Santa Catarina, a Torre do Relógio, no direito, Buarcos, a enseada, na maré vazia vê-se a rocha a que chamam "Medroa".

Boa parte das rochas que ficam a descoberto na baixa-mar,  tem um nome. Disseram-me.

A "Pedra Grande", é outra das pedras que já reconheço. Fica mais para lá, para o Cabo. 

Altas horas, ainda há luzes, lanternas, com mar calmo, junto à rebentação, ou então com pequenos barcos a motor, que pescam também por ali, os as ondas quebram.

Com o mar bravio, os pescadores de cana são raros a pescar no molhe norte mas, nas noites de verão, parecem pirilampos. 

Há noites de poalha, cola-se à areia e, mesmo assim, ainda se vêem as luzes dos navios, ancorados ao largo, aguardando pela entrada no porto e dos pilotos da barra que os levarão rio adentro, até lá acima, antes da ponte do Engenheiro Edgar.

Pouco mais acima da ponte velha, com sinaleiro, que ora mandava avançar de norte,  ora de sul, consoante a sua vontade e o seu ponto de vista. A espera prolongava-se, por vezes horas, só passava um carro de cada vez na ponte, gerando, por isso, no verão, longas filas de trânsito.

Ainda lá passei, nos ultimos tempos do sinaleiro da ponte-velha, de carro, ia-se então fazer campismo para a praia Cabedelo, uma nesga de areia entre molhes, protegida por enormes blocos, que afunilaram a água, em direcção à barra.

Um ermo, com uma praia belissima, um enorme barracão, que servia de restaurante e tudo o mais que o viajante quissesse, passávamos o verão por ali.

As pedras que restam do Fortim, que pugnaram na defesa da enseada de Buarcos, mandado construir no reinado de D. Miguel, e arrematado por quinhentos mil e cem reis, é a paisagem do outro lado. 

publicado por carlosfreitas às 02:45

Carlos Freitas Almeida Nunes
pesquisar
 
pesquisar
 
arquivos
RSS
blogs SAPO