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Nov 18

Tinham acabado de acender todas as torres de iluminação frente da Torre do Relógio, andava gente a passear com o cão às 10 da noite nos passadiços. Ao longe, as luzes de carros policiais circundavam uma zona onde, talvez de forma ilegal, estacionem ou deixam estacionar dezenas, ou talvez mais de uma centena,  de "roulottes", que, num espaço/estacionamento ali se encontram, algumas delas quase o ano inteiro, junto à Foz. Enconstadas ao início do molhe de norte.

Durante aquela soubera-se que o concerto anunciado, que uma fadista daria naquela noite no Centro de Artes e Espectáculos, não havia sido cancelado, nem bares e restaurantes, que normalmente se mantiveram na azáfama rotineira e os centros comerciais que se mantiveram abertos ao público. As próprias informações dos órgãos noticiosos eram vagas quer sobre a manifestação do furacão quer da sua aproximação à costa. Parecia que ninguém sabia de nada, ou não ia acontecer nada. Embora os alertas de mau tempo e a aproximação de uma tempestade tenham sido públicos e conhecidos alguns dias antes. O vento começou a fazer sentir-se, com intensidade, por volta das dez da noite. Fomos tirar os carros da avenida voltando logo para casa.  Já à varanda, pouco depois de chegarmos, começa a perceber-se, de repente, que a intensidade do vento aumentava de forma abrupta, entrou-se rapidamente em casa, fechando janela e   estore. Ficamos a meia hora seguinte atrás da janela a segura-la. Assim que se começou a sentir vento a abrandar viemos à rua. A estrutura de um pequeno restaurante de cozinha asiática que se estendia no passeio havia desaparecido, donos e clientes que se haviam recolhido, na parte incólume que fazia parte do prédio, estavam encostados ás janelas donde gritam e esbracejam. Cá fora estamos eu, o meu vizinho da Ucrânia e dois chineses começamos a retirar cadeiras do meio de uma amálgama de ferro retorcido. Tu abraças-te a Xau. Enquanto não chegas-te eu e o vizinho ucraniano fumamos um cigarro, cada um o seu. Os carros estavam lá. O vento ainda se fazia sentir e já havia luz. Mas estava escuro com o breu.

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publicado por carlosfreitas às 02:22

Carlos Freitas Almeida Nunes
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