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PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

09.Dez.08

Da criação de burros por metro quadrado

no programa governamental "Novas Oportunidades". Não sendo já necessária a consolidação dos conhecimentos pergunto para que serviu a ideia da inevitabilidade de esforço e estudo como binómio para obtenção de sucesso na carreira escolar. Só engenheiros portadores diplomas tóxicos poderiam implantar semelhante idiotice tendo em vista fomentar uma sociedade portadora de escolaridade analfabeta. E, pior ainda, propagandear tal programa.

08.Dez.08

Porto da Figueira da Foz

Foto gdq_75

Rememoro o que aconteceu ao projecto denominado megalómano de Baldaque da Silva  e acarinhado por Ezequiel de Campos, enquanto que em Leixões se dava início ao futuro porto. Na Figueira da Foz, cujo porto fluvial data de meados do século XIX, exigia-se a sua mudança, nos primórdios do século XX, para uma zona marítima, de águas profundas, em terrenos condicionados pelo todo poderoso, na época, Couto Mineiro. Em Leixões não existia sequer porto e o que se ergueu não era, nem foi, considerado megalómano. Perspectivas de um país condicionado pelo Terreiro do Paço,  onde o investimento público é dirigido a partir da capital. A construção do futuro prolongamento do molhe irá estar na origem de tudo o que é relatado aqui. Apenas gostaria de ver o assunto esclarecido, falado pelos diversos interesses que se movimentam na área. A política do avançar primeiro e discutir depois está ai, parece-me. Uma obra desta envergadura, pensando bem, bem o merece. Já os primeiros molhes exteriores (cuja a inauguração das obras aconteceu a 10 de Julho de 1966) reduziram, não a praia, que essa aumentou como sabemos, mas o belíssimo "ar do tempo" que a Figueira da Foz, reproduziu até meados dos anos sessenta,  face no mais espúrio e lesivo acto que foi cometido contra a cidade turística. Entre o turismo sedentário e o desenvolvimento portuário optou-se pelo desenvolvimento do porto, motivado pela construção das papeleiras a sul, geradoras de emprego, dai a opção, numa terra que viveu ao sabor do mar, embora muitas vezes de costas voltadas para este, pela construção dos primeiros molhes. O que aconteceu, na sua real dimensão, embora visível, nem sequer foi estudado nas diversas vertentes. Pese embora a cidade, genericamente, e os figueirenses, em particular, tenham sentido os efeitos do desaparecimento da sua bela frente de mar. A cidade precisa do prolongamento do molhe? É a pergunta que alguns gostaríamos de ver respondida, ou de conhecer melhor os contornos do futuro acrescento. Mas isso parece uma miragem nesta terra "abençoada" por um areal imenso. Estando fora de questão a construção do porto marítimo, pergunta-se o que fazer para desenvolver o sector portuário actual. Ficam muitas perguntas por fazer. Muitas dúvidas com necessidade de esclarecimento. Num momento em que o Estado abre os cordões ao investimento o prolongamento dos molhes é opção não desprezível para a Figueira da Foz. Há muito tempo que os intervenientes locais nesta área a solicitam e lutam por ela. Talvez  seja uma boa opção para uns, talvez não o seja para outros. Mas, pelo que parece, a construção do prolongamento dos molhes na Figueira da Foz avança, basta-nos olhar para o amontoado de máquinas no molhe norte. Daí a pergunta: o que poderá advir da extensão do molhe norte para o futuro da cidade turística e do seu porto.

04.Dez.08

Bonés há muitos

 

Descubro, consoante o avançar da idade, leio algures que tal é habitual, seja isso, então, um incorrigível tradicionalista. Deduzo que sempre assim fui, daí não acreditar muito na explicação da idade para justificar, no meu caso, a evolução pessoal. Sou assim uma espécie de conservador face ao avanço do "fast food", à perca de qualidade de vida, do tempo apressado, da horrorosa política de edição livresca seguida em Portugal, onde qualquer edita ou manda editar ou pede para que lhe editem um livro, por exemplo (não vem a propósito, mas é assim). Sou contra as comodidades oferecidas pelas grandes superfícies, fugindo - a sete pés - dessa uniformização, proposta nas últimas décadas. Descrente no número como forma de salvação mirífica do mundo. Estou por isso demasiado desconfiado com os avanços em determinados campos da ciência e da técnica que não conduzam o homem para um mundo, por exemplo, sem modificações genéticas. Contra este homem que de forma insistente procura desafiar o caos. Tradicionalista igualmente contra a banalização do presente que é proposta. Ontem, ao reparar que Odete Santos, cujo  visual na televisão, que estava sem som, dai ter reparado apenas no aspecto visual, me levou a pensar que, para além da sua saudável alergia aos pressupostos erguidos para a sua idade, e até preconceitos, talvez alguns achem falta de sentido estético, mas isso é um outro assunto, não deixa igualmente de ser uma tradicionalista. Procurando no passado um símbolo para usar no seu presente. Um boné. Recordem-se que bonés há muitos, como diria Vasco Santana. Como nem todos podemos ser belos, atraentes, jovens, e assim nos mantermos, mesmo com a ajuda da estética, e ele há casos por aí que dão imensa vontade de rir, a ex- deputada do Partido Comunista, surgia no écran tal como é. Ao natural. Despida de preconceitos quanto à idade que lhe diz respeito, mantendo-se ferozmente tradicionalista, usando um boné popularizado por determinada figura histórica chinesa, embora de tons verdes. Penso contudo que o seu tradicionalismo não é igual ao meu. Por vezes também ando por aí de boina. Mantenho uma determinada tradição.

03.Dez.08

10%. Um Número objectivo (ou com este escondido)

Folgo muito em saber. Nem estou em mim. Completamente siderado. Que exemplo de número. Agradeço ao Ministério da Educação. Muito Obrigado. Como os números são relativos, tal como os objectivos, para uns a greve, para os outros a manutenção das escolas abertas e não as aulas, conseguiu-se manter o objectivo de 10% de escolas encerradas. Agora venham com a maior adesão à propalada greve dos professores. Sim senhora. Já agora podiam publicitar a escola ou escolas onde estudaram os mentores deste 10%. Que cérebros. De seguida podem explicar como é conseguiram ter apenas 10% de estabelecimentos de ensino encerrados. Não será engano? Não serão menos? Nunca se sabe. A C.O.N.F.A.P. (e o seu inefável Presidente do Conselho Executivo), a associação que representa 100% das Associações de Pais deste país, necessita de saber porque estavam uns míseros 10 % de escolas encerradas. Será que os administrativos e auxiliares, os Presidentes dos Conselhos Directivos terão feito "gazeta"? Eles precisam de saber. É que assim não conseguem explicar. Perceberam? Não? Eu depois explico.

 

02.Dez.08

2008. Cristalização do caos

 

Antecipando antes que estas se tornem rotina a avassalar o fim próximo de mais um ano na comunicação social e não só, verto, para o papel virtual, alguns dos acontecimentos que marcaram o meu quotidiano durante 2008. Resumirei o assunto a apenas dois ou três acontecimentos de aspecto político, alguns livros e uma outra referência avulsas sobre outros aspectos de índole cultural. Tentando ser sintético e objectivo. Não assinalo a crise bolsista, muito menos o lixo tóxico que esta colocou a boiar nas relações económicas entre os vários mundos que coexistem que será constatnte de muitas análises. Capitalismos à parte, sejam estes de Estado ou de mercado, (no fundo vem tudo a dar na mesmíssima coisa) a eleição e o resultado das eleições para a Presidência norte-americana marcou o meu ano político. Nem o 26 de Novembro (e não o "11 de Setembro" Indiano, como por aí vi referido) na antiga Bombaim, embora as vítimas inocentes, teve o poder de mudar esta escolha. Não penso, por isso, que relativizar o acontecido seja concordar com a banalização destes comportamentos. Estreito o leque a que me propus relevo o importante do ponto de vista pessoal. Por outro lado, mais por razões do coração, que racionais, inexplicável por isso, não deixo de referir a situação social e política timorense, a tender para a aparente normalização, após os ataques perpetrados contra o actual Presidente da República. Na frente interna a questão resolve-se de uma penada. Embora o "sururu" sobre a questão bancária e as nuances nela envolvidas (uma vez mais a economia a comandar), que se perpetuarão pelo ano que se segue no calendário,  daí a sua exclusão neste almanaque pessoal sobre acontecimentos marcantes ou relevantes portugueses.  A questão que releva do ano político interno cinge-se  aqui à conclusão (pessoalíssima, como não poderia deixar de ser) sobre o desempenho do actual Presidente da República Portuguesa. Titubeante nos assuntos internos mais problemáticos, demasiado objectiva nos assuntos internos colaterais. Resumidamente a análise do desempenho da mais alta figura da hierarquia do Estado tende para uma análise negativa da sua prestação política no decurso do ano, tendo em conta o currículo da personalidade que dirige os destinos da Presidência da República Portuguesa.

 

(continua, nos próximos capítulos)

 

02.Dez.08

Ontem

Ontem lembrei-me dist OPoderia ter-me lembrado de qualquer outra coisa. Mas o que me teria levado a reflectir sobre tal foi o que aqui escutei logo na introdução. Talvez. Nestes assuntos nunca se  sabe. Mas este modesto cheirinho da nossa mais que velha monarquia recorda-me os rebuçados do famoso "Dr. Bayard". Muito útéis para estas temperaturas... e comemorações. Como para tosses e rouquidões. Ou qualquer outra forma de disfarçar este incómodo.

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