Desde cedo, talvez desde tenra idade, quiçá, conheço as velhinhas câmaras de ar, li muito sobre as terríficas de gás. Agora sobre câmaras de comuns desconheço. Mas eles lá sabem como se arranjam. O que parece é quererem pneus que sempre durem. Vão dar graxa ao càgado que hoje estou mal disposto. Primeiro façam a revisão à carripana, treinem mais o manejo do verbo comum. Estamos a ficar fartinhos de lorpas e dichotes. Assoprem no pipo.
Ao mar ninguém recusa a excelência da beleza, segredos que guarda, perigos e tragédias que esconde. O mar vive entre a beleza e a tragédia. Marinheiros ébrios, de prazer, por voltar a pisar terra, navios de muitos paraísos, ondas, cais e molhes e gaivotas. Entre trabalho, precários, e ganâncias. Em terra tudo se guarda, de tudo existe. Mas a beleza do mar, essa, tudo desculpa e ofusca.
Entre as belas fotos do ALDEIA OLÍMPICA, parte do quotidiano junto do imenso mar, contraponho estas que os homens, por desrespeito por outros homens, descarregam no cais da nossa vida quotidiana.
Representaram a descarga de vidro para reciclagem, sujo, conspurcado, de cheiro nauseabundo, dos mais diversos tipos de embalagens que a sociedade de consumo produz, em frente, precisamente em frente, das instalações que são utilizadas para refeitório dos trabalhadores.
Para que não se volte a repetir.
"Não façamos juízos de valor - mas, falando uma linguagem mais sã, o que for possível dentro das condições gerais . Chegam então fases de mal-estar político e económico, até de angústia social, e vemo-lo reflectir, muito naturalmente, as incertezas das pessoas, as antinomias do seu pensamento, por vezes as suas revoltas por resolver contra um passado que as oprime e que no entanto não sabem como substituir. [...] a própria qualidade de historiadores proíbe-nos esquecer que as nossas incertezas e as nossas esperanças são apenas em última análise, uma das expressões de um drama de consciência muito maior."
Tradução livre de um texto de Marc Bloch em História e Historiadores" Teorema, 1998, p. 299.
Para alguns que pensam que os historiadores só pensam ou entendem de História. História é vida com gente. Façam o favor de serem um dia, de cada vez, melhores.