Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

23.Mar.08

Pi Ying*

 

    Por detrás das relações de informação existe um processo de alienação.

    A questão tibetana está a deixar os nervos em franja ás autoridades chinesas. Face às tentativas de infirmar a realidade, perceber até onde irá a China na tentativa de ocultar os futuros acontecimentos no Tibete é a questão crucial.

    O silêncio, mal gerido por parte dos governos europeus, o comprometimento de partidos políticos, sobretudo  aqueles que se mostram condescendentes ou apoiantes de um pseudo regime comunista, embatem na estupefacção da opinião pública face aos acontecimentos. Afinal passa-se alguma coisa no Tibete. Não se passa nada. Nem sei porque é que se dão ao trabalho de fazer referências aos acontecimentos. Se não se passa nada.

    A informação proveniente da China sobre os acontecimentos são um enxovalho à inteligência. Querem que acreditemos na bondade e candura do exército chinês. Querem. Mas não conseguem. Estamos perante o assassínio de um povo. E isso não conseguem esconder. A denúncia chinesa sobre a modificação dos acontecimentos por parte da imprensa e televisão  ocidentais são uma mera falácia. Se explicarem melhor o que aconteceu em 1989, talvez consigamos melhor entender o que se passa em 2008.

23.Mar.08

Ovo inchado no padal

 

São as ProsasVadias eminentemente laicas, prezando contudo tradições associadas  esta época, que o mundo católico celebra. Incide a nossa estima sobre algumas das tradições que assinalam o referido período. Bretemas explica concisamente esse assunto, avançando até ao sul, até Ovar, não esquecendo pormenores que emanam das terras frias de Trás-os-Montes. Quanto ao que sobra, a questão da boa Páscoa ultrapassa-nos. Nem boa, nem má. Se vier acompanhada com o que versa o assunto ficam satisfeitos os nossos sentidos. Um pouco de sectarismo neste caso, específico, não fica mal. Preferimos o que o tempo amassa.

22.Mar.08

Autoridade, autoritarismo e agressividade

   

    O assunto parece-me banal. Não creio que tenha assim tanto de novidade. A questão da autoridade. De forma lenta e furtiva ele já à muito começara a tomar forma. A "geração rasca" começava a despontar e com ela as clivagens começavam a acentuar-se cada vez mais. A autoridade impositiva começava a ser questionada. Embora este caso não ponha a nu uma questão de autoridade, como por ai se diz e escreve. Não, o que releva deste último caso é falta de capacidade de ambos os lados na prática do diálogo. De insuficiências pessoais ou deficiências, como queiram. Os professores muitas das vezes alcandorados num poder que não se encontra alicerçado numa prática competente, nem, por vezes, justo, desligam-se do real que circunda. Sublimam-se. 

    As opiniões que recolhi, ao longo deste dia, estão de acordo, quer com  um determinado estatuto socioprofissional, onde se distinguem os professores, quer  com a sensibilidade social de cada um, onde surgem as opiniões de pais. Ou de ambos. Manifesto a minha incredulidade perante a  mais recente "ola" em torno de um "tubo" colocado na rede. Nem mesmo este se pode considerar uma novidade. Andamos todos em torno de um tubo, acabando este por, aparentemente, nos centrifugar a opinião. Convém antes reflectir sobre o muito que já se falou sobre este assunto.

    Poderão dizer-me que nunca é demais. Respondo é demais, porque de muito se falar, estamos ainda no mesmo  ponto. Sei que muitas e desvairadas medidas, desde as repressivas às  persuasivas, das benevolentes ás radicais, que  foram sendo sucessivamente implementadas ao longo do tempo. Sei porque, desde sempre, fui aluno. Ainda hoje. 

    Pessoalmente  a carreira profissional de professor nunca foi considerada como sedutora. Talvez porque pense ser profissão à qual se deve associar paixão, não no sentido que outro lhe quis dar, mas verdadeira. Sem paixão não se consegue ser professor. Penso. Sei de muitos que o são porque, a vida,  assim correu. Por isso profissão dura. Sem paixão, profissão, como outra qualquer. Eu próprio conto pelas dedos de uma das mãos os grandes professores que tive até aos bancos da universidade. Ai tive grandes mestres.

    Recordo hoje e aqui o nome  de Maria Júlia Jaleco. Foi minha professora de Biologia na Escola Avelar Brotero , em Coimbra. Decorria o ano de 1979. Salvo erro. Se a memória não me falha. Era então aluno considerado rebelde. Rebelde. Rock. Niilista. Pouco dado a impositivas  regras morais, portanto. Misturava uma enorme capacidade cognitiva em conjunto com uma enorme capacidade destrutiva. Enfim o que se chamava então "um caso perdido".

    A Dr. Júlia Jaleco soube como desenvolver o lado positivo sobrepondo este  ao lado negativista. Domesticou uma bestialidade latente. Assunto para o qual o deficit de conhecimento por parte da classe era então quase de zero. Os professores não aprendiam (ou não aprendem) a lidar com alunos problemáticos. O mundo ainda é demasiado "cor-de-rosa".

    Dai que hoje ao deparar com o empolamento de mais um caso de indisciplina escolar este me tenha feito recordar o exemplo da Dr.ª Júlia Jaleco. Se alguém a conhecer, se alguém dela souber digam-lhe que o Carlos Freitas ainda se recorda. Como professora e como um ser humano que sabia lidar com os denominados alunos-problema de forma construtiva e não autoritária, conseguindo no limite fazer destes excelentes alunos. Chegar onde cheguei foi fruto dessa sua tenacidade particular e desinteressada em lidar com situações limite. Continuar e nunca desistir foi semente que deixou e deu frutos.

    Como ela muitos outros professores, que de certeza neste momento reflectem sobre mais este caso,  sobre os muitos casos idênticos a este, que de certeza sabem fazer, sabem lidar com o problema da indisciplina na sala de aula e com alunos problemáticos. É que sempre existiram grandes professores e alunos problemáticos. Que se fixe o axioma.  Abandonar ou discriminar estes alunos, atitudes mais usuais, nunca foi solução.

    A multiplicidade de experiências  a que tem sido sujeito o ensino implica a banalização deste e outros comportamentos mais ou menos agressivos entre partes que convivem entre as paredes da escola. Professores há que de forma anónima e anódina, acabam por desempenhar um papel importante no interior do sistema porque fazem e realizam. Mas o saber fazer ainda não é moeda corrente. Outros valores se levantam. No real, no mundo, luta-se pela sobrevivência, ascensão ou manutenção do "status". No fundo a escola espelha o mundo. Parte intrínseca dele. É assim preciso não esquecer que professores e alunos são traves mestras do sistema de ensino.

    Daqui a uns tempos, depois de passar a recente "ola", outra virá, de certeza. Até uma próxima. Esperemos que nunca chegue a ser tão violenta como os exemplos que nos chegam do outro lado do oceano. Esperemos que não. Até lá ponham em execução o muito que muitos já reflectiram sobre esta realidade. Deixemos os factos, passe-se à acção.

A foto foi retirada de Viajando por Angola. Onde, passados muitos anos, consegui "descobrir" e rever a minha professora de Coimbra. Eventualmente se alguém, que tenha conseguido ler este arrazoado até aqui, conhecer a Dr.ª Maria Júlia Jaleco, em Coimbra, agradecia que me contacta-se para o mail cfreitas1@sapo.pt . Obrigado.

    Adenda: Concretamente este assunto apenas serviu para desviar as atenções sobre assuntos mais actuais.  De tão velho, a questão da indisciplina, só pode ser ressuscitada para recentrar a discussão sobre aspectos periféricos, embora importantes noutro contexto que não o actual.

20.Mar.08

Natureza da cultura

 

 “como se deve lembrar, Carlos Encarnação acusou este milhar de pessoas de amiguismo ”. Agora veja a conclusão: em face dos seus comportamentos, ambos têm razão. O Presidente da Câmara, em face da aparente inevitabilidade de que o MCT vai ser desbaratado, “chuta para canto”, e pouco parecendo importar-se, acaba por dar razão ao grupo de cidadãos subscritores e “amigos da Cultura”. Por sua vez o grupo, ao não subscrever uma petição, num acto concreto de atentado à memória, ao passado e à cultura de Coimbra, vem dar, também, razão a Carlos Encarnação, de que, realmente, assinaram a tal petição apenas pelo amiguismo ”, pela partidarite ” de uma guerra política suja”.
A senhora desculpe, mas estou a chegar ao meu destino. Que pena não poder continuar a ouvi-la. Levantei-me, toquei o sinal de paragem e encaminhei-me para a porta de saída. Ainda ouvi a mulher perguntar, quase no meio de um grito: VOCÊ JÁ ASSINOU A PETIÇÃO? …OU É UM FALSO IGUAL AOS OUTROS?"
  via
Questões Nacionais.

Para que conste. O Bazófias da cultura afinal só tem motor de 25 cavalos. Pouco  para movimentar um barco como o do Museu Nacional da Ciência e da Técnica.

19.Mar.08

Jornalismo de Jacó

Frase transcrita, com devida vénia:

 

"A nossa estratégia, solidamente assente numa política de qualidade, deixa-nos muito atentos às questões de mutação dos mercados, com realidades iminentemente macro-económicas "

pertence ao Sr. Director de "As Beiras", escrita a propósito dos efeitos eminentes da crise mundial e da entrada na puberdade do jornal, que dirige.

Comentário Prosaico:

Oh Good . Vem cá abaixo ver este Aníbal. Não é por nada, mas falta pachorra para aturar este jornalismo engomadinho, escorreito e limpinho, de frases ocas e polidas, tão cheio de "nove para as dez". Podia repetir, se faz favor.

18.Mar.08

Coimbra, cidade das penas

Hoje, num jornal regional das beiras, antigo Ministro, "pai" do S.N.S, declarava-se membro efectivo dos transportes públicos de Coimbra. Vulgo "tarde e a más horas" ou "sardinha em lata" como conhecido entre transeuntes das ruas da minha cidade. A certo momento, qual arroubo de nostalgia solta-se a frase "pena que acabassem os eléctricos" na cidade. Cidade de penas. Isso. Coimbra é uma cidade de penas. Penosa. Reavivar a memória do eléctrico, não é saudosismo, ou sonho de nostálgico. Na realidade é dotar a cidade de um meio ecológico e com potencial turístico que foi esquecido quando se mandaram arrancar linhas e acabar com o "barulhento" Eléctrico. Que o digam  Lisboa e Porto. Somos uma cidade de penas. É isso. Votada ao silêncio, surda.

 

18.Mar.08

Estes espantos que já não me espantam

Pior que cão de raça, dita perigosa, só taxista adorador de Baco. Pior que isso, puder continuar a conduzir.

Triste país este no qual um ministro agricultura defende e aplaude campanhas de moderação alcoólica quando em causa está um

sector da economia poderoso. Triste país este que não defende as suas crianças. Triste.