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PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

09.Mar.08

Estratégia e táctica em Xadrez

"haverá mais uma demissão ou vai continuar o braço de ferro" a questão colocada por Joana Lopes é pertinente e embora a resposta aparente ser do reino da impossibilidade, avança-se com as hipóteses que o xadrez permite que, como se sabe, são da ordem dos milhões. Assim entre rua e beco, entrou-se no beco e porquê?

Bem, porque já perceberam que margem de manobra é algo que rareia após os acontecimentos que desde ontem se relatam. E, claro, essa frase batida de que se muda o Ministro e não se muda a política, observe-se o recente do exemplo proporcionado pela troca de Ministro na Saúde, para se verificar que não é tanto assim, como por aí pretendem. Apenas mais uma "frase-chavão", datada. Mudar esta Ministra servirá agora para quê? Para nada. O desgaste é mais interessante. Pensarão, do outro lado da barricada. Por outro lado com o fim do ano escolar e a chegada das férias retemperadoras poderia acontecer alguma margem de manobra para o actual executivo. E os meus botões respondem que sim, que poderia ser, assim. Mas convenhamos que a multidão imensa que tomou conta da rua, ontem, não se pode disfarçar com a cosmética habitual.
O Partido no poder também sabe disso. Mas a possível folga e margem de manobra transformou-se ontem num beco de direcção única. Sem saída, por isso. Capacidade para um volte-face? Não adivinhamos, mas com comícios já não vão lá. Se era isso que acaso pretendiam. O único especialista socialista em "volte-faces", ex-Primeiro Ministro e ex-Presidente da República, pensamos que não mexerá um dedo que seja para ensinar como se fazia ou se faz. Disso temos a certeza. O bicefalismo (ou tricefalismo) ideológico em que se tornaram os socialistas portugueses foi por si gizado - um partido, diferentes correntes ideológicas. Permite a sobrevivência. Esta espécie de corrente socialista que se encontra agora no poder agoniza já. A outra, ou outras, distancia-se daquela que agora se movimenta no poder, procurando a demarcação necessária para conseguir transformar-se em possibilidade alternativa, perante os eleitores. Mantendo o partido no poder. Principal interesse. Tendo em conta a fraca, senão inexistente, liderança do principal partido da Oposição. Será hipótese viável. Obviamente que o rotativismo também começa a parecer datado e até perigoso para o regime, face à incapacidade indisfarçável dos Sociais-Democratas no momento e com o seu pretendente a Primeiro-Ministro. Para a face socialista no poder será já impossível realizar o "volte-face" na situação actual. Se o fizerem, renegam a estratégia que apontaram. O reformismo. Embora uma possibilidade, esta apenas está ao alcance de poucos. Não me parece o caso. Arrepiar caminho não estará no horizonte do neoliberal. Este está já, embora pense que aparentemente, só. Isso exige igualmente a realidade do poder decisório. Solidão. Os que manobram, na sombra, o nosso destino, estarão também a pensar em quem poderá tornar-se no próximo. O medo da rua antecipa essa necessidade. E o problema dele reside ai.

Espanha e França onde os eleitores foram hoje às urnas fazem parte de uma possível  estratégia a seguir pelo partido no poder. Observemos as peças e o seu movimento. Porque o seu actual chefe, embora a colagem foleira ao "Yes, We can", vinda do outro lado do oceano, não nos parece coincidir com a realidade que pretende enunciar. Apenas porque se esqueceu de dizer que os pagadores de impostos é que conseguiram...sobreviver. Por quanto tempo mais, bem isso é que já não sabemos.

09.Mar.08

Do Medo da Rua

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns burros continuam a olhar o país como um imenso lago de comunistas. Trinta e tal anos depois as sequelas do "Verão Quente" ainda lhes arrasam os nervos. Por outro lado alimentam essa velha ideia que só o PCP, sem máquina de propaganda  paga a peso de ouro, reconhecendo que este, através da sua bem oleada máquina partidária consegue, por si só, uma militância que não está ao alcance dos partidos que regularmente assumem a governação. O PCP intimamente deve agradecer o reconhecimento que essa ideia proporciona.  Por outro, minimizar a Lisboa, de ontem, apenas alimenta e acarreta mais isolamento e a alarvidade de alguns comentários que atravessam as leituras de hoje. Que cada um tenha direito a opinião. De acordo. Opinião.  Embora quando opinião se conjuga com estreiteza de horizontes releve isso mesmo: um ou mais  asininos em potenciação. O comentário é válido para ambos os lados da barricada. Confundir os números de manifestantes com  o escol militante do PCP é um erro. E os erros costumam fazer-se pagar. Por cá mantemos a ideia de aversão à rua. Embora não sejamos contra quem a utilize. É um direito, esperemos que o continue a ser. Se resolve alguma coisa. Achamos que não. Essas resolvem-se através de um outro tipo de mudanças. No meio de tudo isto arregimenta-se a confusão que as polícias geraram na ida às escolas tentar...bem, se conseguirem explicar o que foram lá fazer com algum realismo já não seria nada mau! Agora aguentem esta imensa maioria de insatisfeitos e pensem que ainda há bem pouco tempo alguns se riam com as expressões numéricas das greves. Quando os números avançados começaram realisticamente a divergir algo corria mal no reino. Ontem, os números, incrivelmente, não foram desmentidos por nenhum Secretário de Estado. Como diria Fernando Pessa ...e esta hein! O P.R. continua no Brasil e lá comemora o segundo aniversário da sua nomeação. Já? Alguém deu conta?

 

Foto: William Blake