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PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

14.Nov.07

Da História Oral




A validade do testemunho oral ou escrito importa após o trabalho da crítica. Que no caso, específico, se reporta ao trabalho do historiador. Aquele que foge de nostalgias, de saudosismos, de memórias dolorosas ou passionais. Embora a memória pessoal habite com ele. Embora as incorpore. Fazem parte. Anacronismo não é ciência. É um fantasma que não habita o seu mundo.
Na análise presente importa referir o recente filão para editores e livreiros e autores. Vejam-se quantas edições sobre a figura A. O. Salazar surgiram ao longo dos últimos meses. Quantas sobre o Estado Novo? E as perguntas surgem em catadupa. O tempo já urge? A distanciação necessária já não o é ? É já possível? Ou a questão da escrita histórica ou memorialística sobre o Estado Novo arrasta-se apenas e só (ainda?) no campo da luta ideológica?
Durante a apresentação desta última, José Hermano Saraiva terá afirmado, segundo a Agência Lusa, que "A História é feita de patranhas e mentiras". Ele lá sabe. Embora alguma da história que construiu se situe dentro desse limiar. Por aqui, espera-se que o testemunho oral da putativa "filha adoptiva de Salazar" seja colocado na estante devida: a da memória oral sobre o Estado Novo. Por muito que uns o queiram matizar de negro, outros de tons mais ou menos azulados, meus caros, na realidade o que irá importar sobre o regime que sobreviveu durante o século passado ao longo de quase cinquenta anos decorrerá no próprio momento em que já ninguém dele se lembrar. E para o saber poucos ou nenhum de nós lhe sobreviverá. Uma coisa parece-me certa, como abaixo se afirma, o tempo, esse estranho objecto do pensamento humano, apenas incorpora em si a vã polémica (testemunho oral versus testemunho escrito) no seio da escrita da história. Embora já muitos considerem que ambos concorrem para essa contextura. Cabe ao ofício fazer a escolha. Sem exorcizar qualquer.