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PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

02.Nov.07

Para o meu Irmão das estrelas



Somos cinco irmãos. Andamos por ai, como se ousa dizer. De vez em quando abro o jornal e dou com noticias sobre o meu único irmão (as irmãs são três). Ontem encontrei-o na primeira página dum diário coimbrão, mas já não é a primeira vez. Por vezes acontece. Parece, diz o jornal, que desta vez só à terceira aconteceu. Até no planeta Terra existem áreas com alguma nebulosidade.
Desde que me lembro o meu irmão sempre olhou mais para lá cima do que cá para baixo. Mas também sabe que é cá de baixo que se parte lá para cima. Aquilo que existe lá em cima carregava-lhe nos ombros. Obrigava-o a olhar e a querer ver muito mais para além do que os nossos pobres olhos vêem. E começou a ver. O meu irmão é astrónomo amador. De coisa muito amada. E quando se ama muito uma coisa...essa coisa vêem até nós. Em forma de estrelas, galáxias, planetas, nebulosas, etc. e tal. Essas coisas todas que existem, lá em cima. Mas o meu irmão tem outra coisa que muito aprecio e penso que interessante, entre muitas outras, claro, é que gosta que os outros também conheçam o que existe lá em cima. Gosta de nos colocar a olhar através dos telescópios e ver, enquanto ele explica o que estamos a ver. Sem ele, sem a sua estrela, estaríamos perdidos naquela imensidão que temos mesmo, mesmo por cima de nós. Lembro-me que, quando ele nasceu, lá em casa, votamos para escolher o nome que o irmão mais novo da família iria receber. Escolhemos David. Talvez nos tenhamos lembrado da Estrela de David. Talvez não, foi de certeza.
Lá em cima a pequena Nuvem de Magalhães.