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PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

18.Out.07

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O Adriano continua aqui ao lado, até um dia destes. Apesar das colagens. De regressos nostálgicos. Das datas evocativas. Apesar de tudo. Não é a voz. Não são as palavras. É a pessoa. O resto não me interessa. Apenas a pessoa, a voz e as palavras. O resto não me interessa. As colagens. A apropriação. A nostalgia. As imagens. As noites estão já frias. E a pessoa?
18.Out.07

da flexibilidade e segurança das cordas



Lia à tempos que, tal como as empresas do capitalismo selvagem, o ser humano deve de certo modo e por força da centrifugação imposta pela globalização aprender a viver na corda bamba. Quer por força do risco, que as inter-relações implicam, quer por uma imposição maioritáriamante dirigida pelos governos, orientados e dirigidos por políticas empresariais cada vez mais agressivas. A corda bamba, na qual vivem as empresas do capitalismo selvagem estão a ser transferidas e impostas à sociedade. Esta, por sua vez, aceitando este jogo, transforma-se paulatinamente num conjunto de equilibristas (Orwell chamar-lhe-ia uma vara). Mas penso que ninguém, nem nenhum de nós está a aprender, na realidade a difícil e nobre arte do equilibrismo. O que nos ocupa cada vez mais é a difícil arte de esticar a corda. Obrigados a flexibiliza-la, a segura-la. Apenas um senão. Estas não são cordas que tenhamos sobre os pés. Estas afagam-nos delicadamente o pescoço, o dia-a-dia. Cada vez mais. Estamos a transformar-mo-nos em malabaristas da sobrevivência. Andamos já por cima do abismo.