Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

07.Out.07

Vidas "à la minuta"




















Hoje embarcámos nesta busca incessante dos nossos momentos "à la minuta". Momentos, de encantamento dos sentidos, que, sem nos darmos conta, nos procurou a atenção. Dessa forma se percorre os jornais, livros, televisões, a vida, que corre mesmo ao nosso lado. Procuram-se instantes. Instantes que preencham a nossa desenfreada falta de tempo para desfrutarmos do tempo. Como se este apenas exista na estranha confluência de mostradores e ponteiros. Produto do tempo, esta nossa falta de tempo. Procura-se descortinar a imediata velocidade e para-la. Para conseguir apreender-lhe as profundidades, as estéticas do discurso, das ideias, dos sonhos. Sem o tempo, nada feito. O espírito não se encontra na imediatez, apenas no remanso das nossas múltiplas solidões damos por ele. Os fotógrafos "à la minuta" preenchem uma parte do meu pessoal imaginário de adolescente, o infantil ainda está nas arcas da memória, descortinável apenas em forma de avulso. Um dia chegará. Como o correr das águas de um rio, desaguando no fim do tempo. Sei-o.
Não venho processar velhas tecnologias versus novas tecnologias, apenas me entretenho. A brincar com o tempo, com a memória. Um dia,não muito distante, aparecemos junto de um cavalo de cartão.
A extinção do antigo nunca nos pareceu algo irresolúvel. Não. Porque a memória ressuscita. Aqui e ali velhas palavras, tecnologias, misturando-as com novas. Eis um processo. Este, que agora estais vendo com os vossos olhos. A velha procura incessante do espírito, na junção do novo. O processo fotográfico da câmara escura democratizaria a fotografia. Sem o fingimento do estúdio. Processo quase artesanal, do foro do miraculoso, aos olhos da nossa infância. Ainda hoje dai decorre. A eternidade de um momento, estava ali à mão. Semente do que havia de vir. Minuto que acabará por se eternizar no tempo, detendo-o assim. Tal como está. Tempus fugit.
Até no papel.