A Time, não esqueceu a celebração destes 30 anos. Quer dizer, ele - o punk-Rock - morreu. As celebrações atestam-no. Vivemos então intensamente a sua chegada. Musicalmente o movimento "punk" era o que era, sem rede, apenas circo. Pobres e primitivos. Contava sobretudo a atitude - social - e o som. Anárquico, decibélico e visceral. Ressuscitaram-se então velhas camisas brancas - do pai ou dos tios - as calças de tecido, afuniladas, de preferência - dos mesmos e que já nem eles usavam- e os sapatos, sem tacões, de atacadores, de preferência terminando em bico. Tudo o que representa-se, na sociedade em que estavam inseridos, mau gosto. Alfinetes poucos ou nenhuns. Só depois do movimento ter desaparecido na origem, eles surgem por
cá. Mas sempre muito pouco usados e ousados. Os célebres penteados à "punk", cabelos espetados em crista surgem como uma moda associada no decorrer dos anos 80, já nada tendo que ver com o espírito inicial da coisa. Esse resumia-se a vestir diferente e a ouvir, muito alto - de preferência - bandas como os
Clash,
Wire,
Sex Pistols,
Dead Kennedy's, etc..De uma forma ou de outra o mercado e a indústria musical portuguesa começam então a dar os primeiros passos na divulgação e no aproveitamento comercial das bandas "punks" e os discos de vinyl começam a chegar transportando finalmente os novos sons provenientes da velha Albion ou do outro lado do Atlântico, onde na realidade tudo acabaria por acontecer. Por cá o movimento "punk" foi apenas e só uma moda entre alguns adolescentes portugueses essencialmente urbanos. Mas quando isso aconteceu o seu desaparecimento estava já próximo e a indústria musical encarregou-se de colocar no mercado outros sons, menos agressivos e mais de acordo com o senso comum. A "new-wave" por exemplo viria a estatelar o "punk "no chão do esquecimento. Este sobreviverá mais algum tempo entre mercados e juventudes periféricas. Embora agónico, que não afónico, surge ainda como
distintivo entre as diferentes subculturas e grupos urbanos o "neo-punk" que não traz nada de novo. Outra coisa não seria de esperar.
O mesmo irá suceder com as tendências seguintes que sucessivamente submergem as antecedentes numa espiral que demonstra as potencialidades criativas que se abriram no decurso dos anos 80.
A comemoração destes 30 anos poderia apenas demonstrar que o "punk", a seu modo, enformou uma certa visão do mundo, de uma parte da geração que o viu nascer e aderiu aos seus pressupostos, durante o estertor da
Guerra-Fria. Assinalar em 2007 os seus trinta anos parece-nos anacrónico. Comemora-se algo desaparecido na voragem das mudanças finiseculares. A revolta que pretendeu enformar, apenas simbólica por cá, convenhamos, fazia-se contra as imposições de uma sociedade que sem o saber estava em profunda mutação e ainda contra o "status-quo", como então se afirmava.
O Punk morreu, que viva o punk.
Gabba , Gabba Hey, o grito de guerra da defunta banda norte americana
Ramones, só voltará a ser escutado, como deve de ser, nos velhos discos de vinil. Comemorar trinta anos de algo que já não existe cheira a negócio da indústria musical, talvez mais um fenómeno de revivalismo que se aproxima. Agora calhou a vez do "Punk-Rock".
Agradecemos ao
Confraria das Bifanas o acesso à informação via
Time.