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PROSAS VADIAS

PROSAS VADIAS

26.Nov.07

Leviathan


Lavro o pessimismo porque o vejo erguer-se. Como coisa de somenos. Aparente. O problema é já dos que não compreendem. Moucos ou surdos, alimentam-se na vã esperança de que o rumo seja o traçado indefinidamente, infinitamente. Vislumbram-no - ao futuro- exalando pragmatismo. Enxotando os vitupérios como fazem às moscas. Pretendem vencer inércias como se o país fosse já de novo, novo. Como se o velho país alguma vez tivesse sido velho! Expurguem-se dos títulos a vileza da mentira e do que fica resta essa incómoda e sonolenta melopeia...que começa a soletrar... já basta! Ainda agora observo nos côncavo do discurso que prolifera, dito por velhos árcades - de poesias antigas-, a ressoarem de novo a melodia do social. Da reviravolta, do contorcionismo. O país agora respira, avança, progride. Sopram-me. Entrou definitivamente no eixo. E que eixo esse! Penso eu, em conjunto com os botões. Chegados aqui enfrentemos as massas dos deserdados do costume. Dê-se-lhe algum pão e um pouco de circo, porque não? Nas arcas deverá haver dinheiro suficiente para satisfazer tão ínfima questão. Daqui a dois anos todo o poder deste mundo será de novo nosso. Ninguém à volta para incomodar. Alguns terão dito ...não foi para isto! Pelos vistos foi. Outros deixariam que fosse. Estamos precisamente no mesmo local. Por muito betão que nos atafulhe os horizontes, por muitas teclas que nos emprenhem os dias. Só as horas, os dias, os anos foram as únicas parcelas da vida que mudaram. Apenas. Mas mal seria se ainda estivéssemos lá atrás. Como o relógio aqui do lado. Movemos... sim! Só que acabámos precisamente onde estávamos. Se ainda não estamos, para lá caminhamos.