11
Abr 18

Restava no bistrot um pouco do cheiro a tabaco, dos tempos em que era vulgar fumar-se nos bistro's, fora isso, era local predilecto, embora bastante patético no estado actual. A palidez dos dias percorre-se entre os dedos, de unhas tratadas enfiadas em dedos finos. Anéis. 

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publicado por carlosfreitas às 03:08

     Sempre que posso leio V.P.V. Gosto da capacidade sintética e analítica do homem de Oxford. De apanhar as coisas pelo ar e transforma-las em verdade. Bem verdades inquestionáveis. Tirando assomos, leio o V.P.V., como mastigo o .M.E.C. Gosto de mastiga-los a ambos.  Atirar pedras à vontade. Gosto de ler intelectuais às direitas.

Viva António Ferro!

     

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Esta sexta-feira com a crónica do jornal Público, ri . Mais sorriso, convenha. Tal uma peneira a querer tapar sol. A direita intelectual portuguesa em papos-de-aranha, para usar terminologia, coisa que, convenhamos, o intelectual de direita não tem pudor algum em recorrer.

Contava, com estes olhos, VPV, esfalfando o desancar nos "intelectuais de esquerda", grupo identificado muito razoávelmente de forma míope. Ou assomo, disfarçado, de certo pudor. Sentimento muito pouco V.P.V. Faça-se um esforço e imagine Você, V.P.V, a ter pequeno assomo de pudor. Ora, os, as os arquétipos de tipos, que antigamente se viam por aí, com livros debaixo do braço, barbas talvez, enfronhados em tertúlias, bem engendradas, sentados nuns cafés, onde tudo se discute e se coloca em causa. Bando de lamurientos, reproduzindo lamurias numas quantas páginas espalhadas na internet e pouco mais. Uns tipos, por sinal, já muito pouco utópicos. Mas o sorriso despertou quando ao longo de meia dúzia de linhas VPV pede - de joelhos , quer dizer ele aconselha, eu é que me pareceu vê-lo nessa posição - aos partidos do situacionismo, mais à esquerda - no caso explícito o P.C.P e o B.E. - a promover uma espécie de Maria da Fonte versão 2010. Pareceu-me, juro que me pareceu, distinguir alusões, embora veladas, a um apelo a que recorram a umas boas manifs "à la Prec", quiça uma "invasãzinha" do Parlamento com uma noitada de sequestro, ajudando assim a correr com os intelectuais de direita que por aí lhe andam a enfernizar-lhe a vida. Segundo V.P.V., a direita portuguesa está de cócoras. Gostei desta. Foi do que mais gostei. Estando o país no estado lastimável em que se encontra venham de lá esses intelectuais de esquerda novamente, com as suas utopias para ver se mexe.  Avancem com as Carbonárias, parece querer dizer. mas não diz, Ide para o Maneta. Apetece-me citar o outro Vasco, num tempo em que nem todos os Vascos eram Santanas, Ò Vasco...chapéus à muitos.

publicado por carlosfreitas às 02:48

28
Jun 16

dias, não são dias.

há dias a dias, não há dias sem duas

outros dias assim-assim, dias.

um dia é um dia, um de cada vez, ou não, talvez um dia

um dia a seguir ao outro

cada dia 

antes do meio-dia

ainda é dia?

Bom Dia

 

publicado por carlosfreitas às 01:43

27
Jun 16

há pouco observei, da varanda, um rapaz, mochila ás costas, pesada, que subia a rua, ingreme, olhando para o écran do telemóvel entre mãos, caminha lentamente quando, de repente, termina o que estava a fazer, colocando o aparelho no bolso das calças e olha, por entre o gradeamanto e as trepadeiras, a nesga de paisagem que caia sobre a Rua da Sofia. Em frente da varanda, do sétimo andar do prédio, onde fumo um cigarro, observo a paisagem, naquela primeira noite do verão do ano, o rapaz pára e alto, numa língua que me pareceu inglês, fala qualquer coisa na direcção da parte debaixo da rua. Não sabia da minha presença ali, nem sequer olhara para cima, talvez só assim me poderia ter vislumbrado. Tinha parado e virara-se para trás, falando alto para alguém que viria atrás de si e que eu não via ainda. Demorou um pouco a tornar-se visível quem lá vinha subindo a rua. Caminhava lentamente, surgindo ofegante pareceu-me, uma rapariga que subindo igualmente a rua, vinha atrás do rapaz.. Reparo que tráz consigo uma mochila de pequeno porte, e não tão volumosa como a dele, e dois sacos, cada um deles em sua mão. A luz dos candeeiros passou então a iluminar uma rapariga, de cabelos longos e lisos, atados na nuca, talvez alourados. O rapaz parou, dois passos depois, donde tinha falado para a parte debaixo da rua, para aquela parte que não se via da varanda e esperou que a rapariga transpusse os poucos metros que agora os separavam e chegasse até ele. Ela chega entretanto e pára junto dele, de frente, para ele. Olha-o, embora não troquem palavras entre si, visto de cima onde me encontrava, pareceu-me ver um acto carinhoso na troca de olhares entre si,  como se tudo aquilo já estive combinado antes de surgirem rua acima, um, atrás do outro. Bastou olharem-se para se entregarem a uma deliciosa troca de cargas ali mesmo. Num movimento pausado e tranquilo, como que respirando o ar quente da noite, entre si, mochilas, a dele maior e mais volumosa, a dela mais pequena e talvez não tão pesada, e  sacos, que haviam sido delicadamente pousados por ela no chão empedrado da calçada, trocaram de mãos e de costas. Findo todo aquele bailado de braços, prosseguiram caminho, o rapaz, à frente, que leva agora a mochila mais leve e um saco em cada mão e atrás dele a rapariga que agora leva apenas consigo a mochila mais pesada e volumosa ás costas, que o rapaz tinha trazido até ali. Continuaram a caminhar, depois daquela paragem, rua acima, desaparecendo na curva lá em cima.

publicado por carlosfreitas às 01:07

Mal o século começou é já os ingleses fizeram a  melhor piada do século.

publicado por carlosfreitas às 00:56

26
Mai 16

Célebre escritor das dúzias congeminou uma certeza, acabou por fundar uma nova ideologia, a zezólogia marxist.

publicado por carlosfreitas às 00:15

18
Abr 16

 

 

 

Um ar fino e puro entrava na alma,
e na alma espalhava alegria e força.
Um esparso tilintar de chocalhos de guizos morria pelas quebradas


A Cidade e as Serras, cap.VIII

publicado por carlosfreitas às 23:03

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Foto: calmeidanunes

 

 

É sempre a pior gente que primeiro não acredita/

E sempre a pior gente que depois não deixa de acreditar

 

Joaquim Manuel Magalhães

publicado por carlosfreitas às 22:47

16
Mar 16

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

 

 

 

 

José Carlos Ary dos Santos

publicado por carlosfreitas às 01:37

Escrevia há dias que devemos começar a falar sobre o Brasil. De pensarmos, Brasil. Aportar novamente aos Brasis. A grande nação Brasileira. O povo irmão. 

publicado por carlosfreitas às 01:21

Carlos Freitas Almeida Nunes
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