04
Nov 12
publicado por carlosfreitas às 22:09

08
Dez 08

Foto gdq_75

Rememoro o que aconteceu ao projecto denominado megalómano de Baldaque da Silva  e acarinhado por Ezequiel de Campos, enquanto que em Leixões se dava início ao futuro porto. Na Figueira da Foz, cujo porto fluvial data de meados do século XIX, exigia-se a sua mudança, nos primórdios do século XX, para uma zona marítima, de águas profundas, em terrenos condicionados pelo todo poderoso, na época, Couto Mineiro. Em Leixões não existia sequer porto e o que se ergueu não era, nem foi, considerado megalómano. Perspectivas de um país condicionado pelo Terreiro do Paço,  onde o investimento público é dirigido a partir da capital. A construção do futuro prolongamento do molhe irá estar na origem de tudo o que é relatado aqui. Apenas gostaria de ver o assunto esclarecido, falado pelos diversos interesses que se movimentam na área. A política do avançar primeiro e discutir depois está ai, parece-me. Uma obra desta envergadura, pensando bem, bem o merece. Já os primeiros molhes exteriores (cuja a inauguração das obras aconteceu a 10 de Julho de 1966) reduziram, não a praia, que essa aumentou como sabemos, mas o belíssimo "ar do tempo" que a Figueira da Foz, reproduziu até meados dos anos sessenta,  face no mais espúrio e lesivo acto que foi cometido contra a cidade turística. Entre o turismo sedentário e o desenvolvimento portuário optou-se pelo desenvolvimento do porto, motivado pela construção das papeleiras a sul, geradoras de emprego, dai a opção, numa terra que viveu ao sabor do mar, embora muitas vezes de costas voltadas para este, pela construção dos primeiros molhes. O que aconteceu, na sua real dimensão, embora visível, nem sequer foi estudado nas diversas vertentes. Pese embora a cidade, genericamente, e os figueirenses, em particular, tenham sentido os efeitos do desaparecimento da sua bela frente de mar. A cidade precisa do prolongamento do molhe? É a pergunta que alguns gostaríamos de ver respondida, ou de conhecer melhor os contornos do futuro acrescento. Mas isso parece uma miragem nesta terra "abençoada" por um areal imenso. Estando fora de questão a construção do porto marítimo, pergunta-se o que fazer para desenvolver o sector portuário actual. Ficam muitas perguntas por fazer. Muitas dúvidas com necessidade de esclarecimento. Num momento em que o Estado abre os cordões ao investimento o prolongamento dos molhes é opção não desprezível para a Figueira da Foz. Há muito tempo que os intervenientes locais nesta área a solicitam e lutam por ela. Talvez  seja uma boa opção para uns, talvez não o seja para outros. Mas, pelo que parece, a construção do prolongamento dos molhes na Figueira da Foz avança, basta-nos olhar para o amontoado de máquinas no molhe norte. Daí a pergunta: o que poderá advir da extensão do molhe norte para o futuro da cidade turística e do seu porto.


24
Jun 07

Praia da Barra, 1924. Repare-se no pequeno amontoado de
armações de praia na época.
Fotografia tirada do farol da Barra, Aveiro.
Arquivo Carneiro da Silva.
publicado por carlosfreitas às 14:12

16
Jun 07










Vimaranense na Póvoa do Varzim, década de 1930.</span> Foto de Mário Cardozo.
publicado por carlosfreitas às 01:44

13
Jun 07
Minho, 1958.
Belissíma foto de Édouard Boubat.
publicado por carlosfreitas às 13:26

01
Jun 07


Pequeno excerto da possível "apresentação" inserta na proposta de trabalho para o mestrado, sobre o turismo figueirense, que estou a tentar realizar.
A modos que, como indicado no título, numa espécie de cólofon, nunca e em nada comparável ao difícil e penoso trabalho realizado pelos monges-copistas medievais, onde estes deixavam registados, para a posteridade, o quão árduo havia sido o trabalho. Neles exaravam desde os mais modestos aos mais extraordinários pedidos que povoavam as mentes desses extraordinários homens medievais.
Sensação, no entanto, muito aproximada, após percorrido o longo caminho da investigação, muita das vezes solitária e morosa, quando o labor da escrita começa a definir contornos de caminho.



"A difusão das práticas da vilegiatura, ao longo do século XIX e princípios do século XX, induziu o aparecimento de uma nova tipologia urbana, nas costas marítimas: a estância balnear. Esse movimento social e cultural em direcção ao mar, aos terrenos banhados por águas carregadas de iodo e sal, surge do encontro de dois "novos" comportamentos , o do indivíduo face ao mar, magistralmente descrito pelo historiador francês Alain Corbin(1), e o subsequente despertar de um "novo" tempo, o "tempo para o corpo", que André Rauch(2), descobre entre a amálgama das práticas ociosas, que se conjuga na vilegiatura genéricamente e, em particular, na prática dos banhos de mar e na vida quotidina das estâncias de veraneio, durante a época balnear.
Duas novas atitudes do homem face ao mar e ao corpo, que acabariam por desencandear, dois séculos após terem surgido entre a aristocracia europeia e cuja difusão, de forma capilar, entre os estratos sociais imediatamente inferiores, se procedeu de forma lenta, a massificação do turismo, em finais do século XX.
O denominado "turismo de massas", designado por Marc Boyer(3), como uma construção da história, é um fenómeno contemporâneo, sucessor das práticas elitistas vislumbradas desde meados do século XVIII e do lento processo de difusão entre as diferentes classes sociais, que eclode, com a pujança conhecida, após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Ambos os fenómenos, analisados e estudados no decurso do seminário "Turismo e Desenvolvimento" do Mestrado de História Social e Económica 2004/2006, orientado pelo Professor Doutor R. C., estão na origem deste trabalho de análise histórica, sobre o turismo na Figueira da Foz, entre as décadas de 1930 e 1950."



Pequena nota:


O incremento do turismo, em termos históricos, apesar dos seus aspectos económicos, insere-se nos campos da sociabilidade e das mentalidades, onde, no caso específico, se assiste à socialização da praia e do mar e das zonas envolventes. Representam, em si, o registo das alterações no campo do social, provocadas pela mudança das mentalidades, face ao mar e ao corpo. As "comunicações entre o indivíduo e o que o rodeia, os meios pelos quais recebe os modelos culturais"(4) acabaram por desencadear todo o processo de difusão e massificação do turismo, no seio da sociedade contemporânea.</p>



(1) Corbin, Alain, Le territoire du vide. L'Occidente et le désir du rivage 1750-1840, Paris, Aubier, 1988.


(2) Rauch, André, "As férias e a natureza revisitada (1830-1930)" in História dos tempos Livres, coord. Alain Corbin, Lisboa, editorial Teorema, 2001.


(3) Boyer, Marc, Histoire du tourisme de masse, Paris, PUF,1999.


(4) Duby, Georges, Para uma História das Mentalidades, Lisboa, Terramar, 1999.
Não cito páginas, esse é o trabalho que vos compete, se vos aprouver.
Foto: Cartilha de trato com o Banhista, Argel de Melo, Edição da Comissão Municipal de Turismo da Figueira da Foz, 1943.


publicado por carlosfreitas às 14:19

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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