27
Jun 16

Mal o século começou é já os ingleses fizeram a  melhor piada do século.

publicado por carlosfreitas às 00:56

02
Jan 10

Notícias recentes trazem um novo caso. Opõe a escritora chinesa Mian Mian ao Google pela digitalização do seu último livro. A escritora aparentemente não pretende, de forma clara, uma combinação numérica financeira a título de indemnização compensatória pelo acto de divulgação da obra a nível mundial  produzida pela gigante norte-americana, que, caso o assunto seja conciliado fora dos tribunais, estará disposta a aceitar um mero e formal pedido de desculpas. Main Mian é produto dessa cultura milenar, inventora do papel e uma das maiores produtoras de software e hardware mundiais, que se projecta como a grande dona deste mundo novo. Reflecte o conflito de interesses entre dois mundos em contraponto e onde se movimenta o mundo velho que se diz já novo, exigindo apenas desculpa por ainda existir (óbviamente acompanhado por uma soma absolutamente mirabolante, dado que o que ainda está em causa no velho mundo é o dinheiro e a representação associada) e um mundo novo que procura expressar novas realidades ainda e só visualizadas ficcionalmente. Perante isto a segunda década do século vinte e um inicia-se com mais um caso, que embora tratado ainda como notícia de rodapé, se banalizará cada vez mais, sendo que faz já parte de um outro tipo de preocupações e problemas que afectam e se projectam para além dos já velhos e gastos que se arrastam desde o século XIX. Demonstra, por isso, que o denominado «conhecimento histórico» do século XX só agora realmente se inicia. Osvaldo Silvestre, numa extraordinária introdução, escrita a duas mãos com Pedro Serra, para a obra Século de Ouro. Antologia crítica da poesia Portuguesa do Século XX, (ainda não digitalizada, mas lá chegaremos, a divulgação da poética portuguesa agradecia sulcar rapidamente os mares do novo mundo) que "de facto parece existir uma impossibilidade lógica de conciliação, eventualmente desejada, de «viver a história» com escrever a a história: por outras palavras, as personagens (do devir histórico) não são os autores (da História), já pelo facto de os planos temporais em que se desenrolam essas actividades serem por natureza distintos (a história vive-se sempre no presente, mas escreve-se sempre a posteriori), já pela simples razão de que a consciência que o sujeito histórico possui dos seus actos não é necessariamente clarividente em relação ao sentido desses mesmos actos - assim como a autoconsciência do sujeito não é necessariamente a verdade do seu estatuto objectivo." Compreendamos então que o novo mundo possuía já as sementes bem enterradas no século XX. É um processo (o da globalização cultural) que, de forma inexorável, encontrará resistências, obstáculos, mas que fará parte integrante do século que, agora, começa realmente a andar pelos seus próprios pés. Palavras como direitos de autor, pagos em dinheiro, começam a ser banidas do léxico convencional. Divulgar conhecimento é projectar um poder do qual se desconhecem as possibilidades. Procura de outros caminhos para transformar a humanidade e a realidade. Prognosticar a produção cultural como  património de conjunto e não como mera mercadoria de mercado, individualizada, cujo acesso é regulamentado e controlado pelo poder económico. Novas premissas, ideais revolucionários, vindas do Velho Mundo que se começam a projectar nas sombras do Novo. Está diante os nossos olhos. Observemos com atenção.

publicado por carlosfreitas às 19:10

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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