03
Jul 13

Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto.





A Metamorfose - Franz Kafka

publicado por carlosfreitas às 01:48

20
Ago 10

Ontem, pelo acaso que a minha profissão permite, estive a falar com um idoso Velejador solitário, que seguia caminho em direcção às costas do Adriático, que aportara à marina. Apenas  trazia como companhia, no seu acanhado "catamaran", por um pequeno cão. Sem raça, apenas e só um cão. Um cão, com alma de gente. Quem gosta de cães percebe o que quero dizer. Era um Cão  de muitos mares. Tinha 13 anos, disse-me depois o Velejador. Ao entrar no escritório deixou o cão à porta, preso por uma pequena trela, como é hábito e lei. Disse-lhe que ali os cães podiam entrar, porque eram gente. Gente como nós. E o cão permaneceu connosco, sentado e atento, contra a lei,  enquanto fomos trocando palavras sobre a vida, durante algum tempo. O tempo necessário para  que no fim trocássemos um forte e longo abraço entre dois completos desconhecidos. Muitas vezes, demasiadas vezes, prefiro um cão no escritório, mesmo que contra a lei, que certos animais, que embora não o sendo, nem cães conseguem ser. Dão-se ares!

 

 

publicado por carlosfreitas às 13:40

15
Ago 10

Artigo nº 1 (único):

No Verão não se lêem blogues.

 

P'lo Prasidenet da Junta

publicado por carlosfreitas às 20:01

03
Ago 10

 

 

Gostaria de hoje e aqui deixar um abraço fraterno aos, poucos, que ainda passam por este blogue na sua demanda virtual e que o vão lendo, assim como nós o vamos fazendo igualmente por essa blogoesfera afora. A culpa da sua não actualização deve-se a um pequeno facto; deixámos de nos absorver pelo quotidiano dos media, o que não quer dizer que, vadios como nos orgulhamos de ser, em determinados períodos, não voltemos ao interesse pela actualidade e à visão que os media nos fornecem do mundo, por si, pré-determinado. Vamos postando apenas aquilo a que damos algum interesse e ao qual dedicamos alguma observação mais atenta.  E, por falar nesse pormenor, o da actualidade política, destacamos "o olhar"  de um Sítio com Desenhos. Porque a mestria do desenho ajuda a perceber melhor.  Quanto  ao "Prosas Vadias", raramente actualizado nos últimos meses, por culpa da   preguiça do seu único autor, pois vadio, que se preze, tem os seus momentos de ócio prolongado, atitude que deixa transparecer que o blogue entrou em hibernação. Contudo, e como estamos no mês, por excelência, em que todos, mesmo trabalhando, vamos deixando correr os dias ao sabor do calor e dos dias luminosos, fica aqui o registo deste facto. Continuamos a andar.... embora mais devagar! Abraço para todos.

 

Foto: "O Homem dos caranguejos" - Desenho/ Zé Penicheiro

publicado por carlosfreitas às 13:24

28
Fev 10

O mundo estranho, maravilhoso e poético de Tim Burton para desenjoo.

publicado por carlosfreitas às 15:00

cartoon: Angel Boligan, El Universal - México

O Estado em Portugal é, políticamente, um Estado social para as grandes empresas e grupos económicos, neo-liberal para as médias e pequenas empresas e um estado fascista para com as classes trabalhadoras.


publicado por carlosfreitas às 10:38

23
Fev 10

Ontem sobre o "Prós e Contras" :
a extraordinária informalidade de António Manuel Hespanha. A complexidade presente não impede de continuarmos a reconstituir e a estudar o passado e a realizar comparações. Na análise encontram-se momentos semelhantes ao presente e tal nunca impediu que não fossem encontradas soluções. Numa sociedade onde as marcas do Estado Novo ainda perduram, impedindo a democracia e a sociedade de respirarem saudavelmente, não poderíamos esperar que 30 e poucos anos bastassem para mudar o rumo mental do país. Repare-se na antiguidade do rotativismo político português e nas organizações (Maçonaria, Igreja, poder económico) que ainda não se ajustaram aos novos figurinos mentais e de comportamento.

publicado por carlosfreitas às 16:27

22
Fev 10

Moon rise over Australia. Taken from Cupola side window. on Twitpic

 

Entre as Brumas da Memória...carregar na foto permite flutuar e descobrir.

publicado por carlosfreitas às 19:26

29
Nov 09

Resumindo e concluindo sou contra os conservadores e o conservadorismo. Afinal de contas eles, os conservadores, apenas querem conservar qualquer coisa. Seja o actual estado das coisas, sejam as coisas no seu actual estado. Embora não tenha nada contra os nostálgicos que, embora conservadores, apelam a um outro tipo de sentimento, mais elaborado, procurando que as coisas boas não desapareçam. Daí que hoje tenha chegado à conclusão que sou nostálgico e tenha usado um sobretudo dos antigos para ir comprar cigarros. Fui e vim agasalhado. A fumar um cigarro. Contente com a minha nostalgia por sobretudos e cachecóis.

 

publicado por carlosfreitas às 18:59

08
Nov 09

Acontece sempre aos Domingos. Gosto de ficar na cama. Quando posso. Antigamente podia sempre. Agora não. Levo para a borda da cama todos os livros e  jornais que encontro, espalhados pela casa. Refastelo a cabeça e parte das costas em três almofadas escolhidas criteriosamente. E assim passo as tardes, sim as tardes, dos  Domingos. Embora  não tenha relógio à  cabeceira e o móvel lateral, a que chamam mesinha, tenha outras utilidades, sei que é de tarde. O relógio não faz parte da enorme balbúrdia que ali existe. As tardes de domingo são sempre muito tardes. Por isso gostei da invenção das padarias abertas ao Domingo. Tenho uma boa relação com o progresso. Sobre algum progresso. Nem todo o progresso é bom. Algum contudo padece dessa enorme capacidade de transformar as nossas vidas. Este é um caso paradigmático e pessoal. Posso ir comprar pão a qualquer hora do dia. Não que a minha relação com a ancestralidade do pão seja demasiado notória. Não. Gosto de comer pão de vez em quando. E isso abrange todas as qualidades de pão que se consiga imaginar. Gosto de pão com manteiga e café com leite aos domingos quando me levanto se é que me levanto por assim dizer. Vagabundeio o pijama pela casa. Será talvez esta a sacralidade do meu domingo. O sétimo dia da semana, embora as minhas semanas sejam completamente assimétricas. Umas vezes começam ao Domingo noutras podem começar à quarta-feira. Por isso hoje, embora seja Domingo, não o é para mim. Pode sê-lo para vocês, mas para mim não. O meu Domingo começa na próxima Quarta-feira e durará até Sexta-feira que vem. Por isso o dominguinho passou a ser quando posso acordar tarde e o desejo de pão com manteiga e café com leite se faz sentir com maior veemência. Então sei que voltou a ser Domingo. Só assim. Todo este arrazoado pessoal e privado sobre os meus Domingos para dizer que não gosto do último livro de Lobo Antunes. Não tenho que pedir desculpa. Cito de cor, embora o meu hipocampo já tenha visto melhores dias, Mark Rowlands, filósofo obscuro, embora todos o sejam. Apenas sobrevivem uns quantos clássicos, embora também eles sofram dessa qualidade. O "sentido da vida encontra-se nos momentos, não pretendo repetir aqueles sermõezinhos simplistas que nos imploram para "viver-mos o momento". Nunca aconselharia ninguém a fazer algo que é impossível. Antes, a ideia é a de que existem certos momentos, não todos os momentos - nem por sombras, mas existem certos momentos; e à sombra desses momentos havemos de descobrir o que é mais importante na nossa vida." Normalmente a mim acontece-me quando dou por mim no Domingo.

Foto: Frances Benjamim Jonhston

publicado por carlosfreitas às 11:22

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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