25
Mai 10

 

Gogue - Faro de Vigo, 23 de maio de 2010, p. 32.
Embora e sempre para os mesmos, seja em Democracia, seja lá onde for!

 

publicado por carlosfreitas às 15:11

23
Jul 09

 

 

 

"[...] num país, onde a inteligência é um capital inútil e onde o único capital deveras produtivo é a falta de vergonha e a falta de escrúpulos - o diagnóstico impõe-se per si. O desalento e a descrença alastra. No ar respira-se o cepticismo. E, à medida que o mal-estar colectivo se esvai resolvendo quotidianamente em tragédias individuais, o sentido da vida, em Portugal, parece ser cada vez mais fúnebre e mais indicativo de que vamos arrastados, violentamente arrastados por um mau destino, para a irreparável falência e de que nos afundamos definitivamente.

[...] Em Portugal, só uma parte mínima do esforço empregado redunda em trabalho utilizado. O resto é integralmente esforço desperdiçado. Como querem, pois, que haja amor ao trabalho se o produto do trabalho representa uma insignificância que não valoriza senão uma parte mínima do esforço feito? [...] Não compensar o trabalho é aniquilar o estimulo de trabalhar. E até certo ponto, senão é justo, é pelo menos explicável que homens, que em outro meio seriam prodigiosas fontes de riqueza e de progresso, respondam invariavelmente aos que os incitam a fazer alguma coisa; «Não vale a pena»

O nosso pessimismo quer dizer apenas isto: que em Portugal existe um povo, em que há, devoradas por uma polilha parasitária e dirigente, uma maioria que sofre porque a não educam e uma minoria que sofre porque a maioria não é educada. [...] Não, em Portugal não é a degenerescência o que lavra. Há aí incalculáveis energias armazenadas; há aí muita vida, [...] à espera de aplicação útil. Aproveitem-se, canalizem-se. Há ainda alma para refazer todo um Portugal novo.

 

                                 Excertos d'0 Pessimismo Nacional de Manuel Laranjeira

publicado por carlosfreitas às 23:40

18
Jul 09

Proponho para que se entenda para além do demasiado óbvio  onde é pretendo chegar com o "post" abaixo. Proponho dois textos, onde as ilações, que ambos vão retirando dos contextos que analisam, distam quase pouco mais de um século. Sei que ler é hoje uma actividade penosa e quase clandestina. Seria interessante reter um ponto essencial: os partidos políticos portugueses aparentam ser (ou são!) estruturas de  muito longa duração em muitas das suas componentes, seguindo de perto as teses transpostas para Portugal da Escola dos Annales por Vitorino Magalhães Godinho. Por outras palavras sofrem de esclerose múltipla. Um pode ser lido aqui e o outro aqui. E por ser sábado desligo o computador e vou apanhar ar. Bom fim de semana.

publicado por carlosfreitas às 10:18

 

Imagem que vale milhões...

publicado por carlosfreitas às 10:00

21
Abr 09

 

 

Não consigo entender muito bem como funciona o jornalismo de investigação no New York Times. Explicando-me melhor não percebo como é que se consegue descobrir um escândalo sexual que envolve um governador em Nova Iorque, nem como se desmascaram velhos e sábios generais que se prestaram a defender as políticas do petrodólar no Iraque, nem como uma jornalista americana consegue entrever o número demasiado alto de mortes entre os operários da construção civil em Las Vegas. Deve ter sido através de premonição. De certeza. Telepatia. Só pode. Entretanto por cá ninguém pode investigar de pé descalço para cima ou então uns quantos Vale e Azevedos, ou coisa parecida, para mostrar na arena ao povoléu vociferante. De resto é imiscuir-se na vida privada de um político. Afinal o que é a vida privada de um político? Que limites deve ter um político à sua privacidade? Onde pode parar a Democracia se não for possível investigar? Na América não deve ser fácil, por cá parece ser proíbido.

publicado por carlosfreitas às 19:28

26
Mar 09

 foto: darkmatter

O fogo lavra mansamente por essa Europa fora. Não me refiro aos incêndios florestais domésticos, estou a falar da contestação social e das formas que vejo assumidas. Do Reino Unido a França os nervos estão em franja. Por cá, povo de brandos costumes, que o nacionalismo  de finais de XIX e inícios de XX tão bem domou, o Estado domina a turbamulta (como chamam aos pés descalços quando em fúria). O trabalho desenvolvido pelos intelectuais do Chiado, com Júlio Dantas à cabeça, orientaram um povo em alvoroço - ou farto dele - na direcção de um regime aparentemente sem ideologia. O Estado Novo, ao juntar no seu seio monárquicos, integralistas, saudosistas, neogarretianos e por aí fora, esvaziou de ideologia, ficando com a parte de leão no condicionamento psicológico do povo, donde dizia emanar, implementando uma política à direita e autoritária. A quintessência da revolta foi assim domesticada tendo por cobertura os devaneios republicanos, com as suas revoltas quase diárias. Exangue a 1ª República ficámos entregues ao viver habitual. O mesmo em que nos encontramos ainda maioritáriamente. Mas todos sabem que a fogueira da Europa chegará. Tarde, como é da praxe, mas chegará. O resto são historiazinhas de "penaltis" e  julgamentos de pequenos tiranetes para nos suavizar o jugo.

publicado por carlosfreitas às 18:24

27
Dez 08

O Orçamento de Estado para 2009 é, como se previa, uma espécie de oráculo de Delfos, cujas predições são passíveis de múltiplas leituras. Esquema habitual em oráculos.  Ora um país não pode viver, nem sobreviver, sobre as ordens de uma qualquer pitonisa, com tal instrumento em mãos. O que este permite pode desvirtuar o próximo resultado saído das eleições. Presidente da República e Primeiro-Ministro, dependentes e interdependentes, são a face de um dos lados da moeda, má, por sinal, que o Orçamento encerra. Dependentes, porque reféns, de eleições próximas, os dois pilares do Estado democrático começaram já a "contar espingardas" para a guerra que se avizinha, que, sem sombra para grandes dúvidas, se desenrolará entre ambos. O problema, sabem-no eles muito bem,  é que os cavalos também se podem abater, hoje, mais que ontem, amanhã, mais do que hoje. Nunca se sabendo qual o cavalo que se segue. Uma incógnita trazida pela nova conjuntura vivida. O problema é agora esse. Aguardando por ordens de Washington, a "corrida à portuguesa"  encerra muitas lutas apeadas. Entre peões e quejandos. Basta estar atento e deixar correr o orçamento. Enquanto as classes denominadas párias da democracia são enoveladas numa excessiva carga fiscal, desenrolasse ao seu lado um autêntico  "bodo aos pobres" entre os eleitos deste orçamento. Que não são seguramente os contribuintes líquidos, mais numerosos, como já vem sendo hábito da nossa democracia. Dai que esta seja a última carta, de um baralho desconhecido, que resta. Mas para jogar, não basta ter cartas, é necessário saber joga-las.

publicado por carlosfreitas às 12:50

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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