04
Dez 13

 

arquivo Fernando Correia de Oliveira.

 

 

A forma encontrada para se conseguir ver a beira mar da zona da Esplanada "Silva Guimarães", foi deixar autóctones e os forasteiros turistas subir à Torre. É, de qualquer forma, factor positivo na demanda do "Santo Graal" do turismo. Mantendo um "ar do tempo" na "Torre do Relógio", permitindo a visita e o desfrute dos horizontes que se avistam do cimo da torre, é mais valia para o turismo figueirense. Pede-se contudo às autoridades que não digitalizem o dito relógio da Torre, se faz favor.

 

 

 

Em "Crónicas de Inverno. sobre a  cidade da Figueira da Foz, e seus arrabaldes",

edição no prelo, Dezembro de 2013.

publicado por carlosfreitas às 01:01

16
Set 13

publicado por carlosfreitas às 11:26

11
Set 13

 

 

 

Embalagem Triunfo anos Sessenta

publicado por carlosfreitas às 02:24

Retornei à cidade nos primeiros dias de Setembro. Fugidos os últimos veraneantes do mês de Agosto, o eterno mês de eleição do veraneio figueirense, Setembro é sempre o melhor mês para se gozar as delicías da heliofilia, quando no barômetro se conjugam todas as particularidades dos ares da Figueira da Foz. Durante a noite, a água do mar está mais quente que a areia da praia durante quase todo o mês, permitindo aos veraneantes de Setembro gozarem de um motivo extra para aqui pernoitarem sem ter que frequentar algumas das unidades hoteleiras locais. O pôr do sol ganha agora novas matizes nunca apresentáveis aos debutantes ruidosos do mês de Agosto. É assim em Setembro que se gozam as delicías do veraneio figueirense, quem disser o contrário nunca remou, jamais remará, quase de certeza. Foi mais um Verão, passou um Verão, mais um Verão. Feita a apologia do Verão, regresse-se a essa pressa sem pressa, ao vespertino passeio pela longa marginal, ao PaPão, que Deus o tenha, ali, de frente para o mar, em dias de chuva clarividente, também ela sempre fustigada dos lados do mar. Há tempos, alguém que terá lido as crónicas por acaso, sem grande afinco, mas que, contudo, me deixou ficar uma pequena mensagem, que vinha assim escrita, tal e qual:

 

 

Caro Prosas Vadias, a respeito de tal coisa aqui lhe deixo as minhas mémórias das férias na Figueira da Foz, já que tanto se interessa pelo tema: "O meu Setembro,15 dias,em Buarcos levada pelos tios Abegão e seus filhos.
Ainda, vivendo em Penela, faziam excursões e lá iamos,adultos e crianças,mulheres em combinação e homens em cuecas e camisola interior,em bicha e o banheiro pumba mergulhava-nos!!!
Boa Alfredo!

 

Nota:

Não sabendo como lhe agradecer, apenas queria exprimir, através desta nota, ao bondoso leitor que não me chamo Alfredo. O meu nome de baptismo é Raymundo Esteves, um amigo ao seu dispôr.


06
Ago 13

 

 

Realizado junto a uma das melhores praias da Figueira, com a paisagem fantástica da barra local, em fundo - a popularmente conhecida como a "Praia dos Tesos". A mais recente das praias locais pode vir a tornar-se moda nos próximos verões, quer pela sua proximidade do "Bairro Novo", quer por surgir hoje bem enquadrada na malha urbana. Recentes obras vieram sobremodo potenciar a zona, embelezando a área outrora desprezada. A "Praia dos Tesos", espera-se que não lhe mudem o nome, tornar-se-à numa zona com enorme potencial turístico para a cidade, vai uma aposta?
publicado por carlosfreitas às 02:01

03
Ago 13

Entrada do mês de Agosto. Faça-se aqui um pequeno intervalo nas crónicas de veraneio. A Figueira da Foz, ressurge em Agosto, envolta no velho manto da Praia da Claridade, qual Rainha das praias de Portugal, uma usurpada coroa pelas madames de hoje que, mais novas e querendo aparentar ares mais airosos, ostentam dotes mais modernos ou modernaços como diria o arquitecto Carrilho da Graça, ou outro que seja. Mas não se deixem enganar. Olhem, reparem e digam que a Natureza, embora e até hoje cuidada seguindo a velha receita dos "tratos de polé", continua a ser e a fazer da baia da Foz do Mondego, um paraíso a que um olhar, mesmo distraido, nela não pode deixar de reparar. Preservar o horizonte devia ser a política figueirense nos anos mais próximos e nos que se lhe seguem.

 

publicado por carlosfreitas às 01:03

09
Abr 13

publicado por carlosfreitas às 11:08

       

O mais recente debate em torno do estado da linha que liga a cidade da Figueira da Foz à Pampilhosa do Botão, alia dois factos interessantes; o primeiro porque reacende e reaviva o estado de abandono institucional em que a linha ferroviária se encontra. Convindo agora politicamente o conjugar de esforços de Cantanhede, Mira e Mealhada, de cidade e vilas limítrofes dando força política necessária para a reactivação deste meio de transporte como verdadeira opção para as populações e empresas locais. Por outro lado, demonstra cabalmente o amor que os figueirenses possuem quanto à construção da história local, à preservação da sua memória como qualidade para a sua identificação. Deve ser um motivo de regozijo observar que as diversas forças políticas locais conjugam, ainda que cada uma por si, e, se assumem, como pioneiras na defesa do património comum, mas também do seu futuro. Para isso precisam apenas de um pouco de conhecimento histórico para melhor enquadrarem as pretensões. A fotografia da placa que encima este comentário assegura apenas um aspecto dessa histórica "Linha de caminhos-de-ferro da Beira-Alta", embora, na realidade, englobe outros aspectos da mesma história. Com uma cidade a cair do esquecimento, convinha redireccionar o olhar das populações para estes aspectos e fazer deles, não apenas um objectivo político, mas o assumir da verdadeira defesa das potencialidades locais e de assegurar a necessária conjugação com os poderes locais dos concelhos limítrofes.

 

 

 (a placa encontra-se na estação ferroviária da Figueira da Foz. Se passar por lá, olhe para ela)

publicado por carlosfreitas às 10:24

21
Fev 13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

         Há cerca de dois anos estive na Figueira da Foz durante um dia. Eu passei todos os meus verões na Figueira até ao fim da adolescência, em Agostos calmíssimos e um pouco antiquados, com aquele areal imenso e um sentimento difuso de comunidade, de convívio entre conhecidos, de burguesia a banhos. A Figueira não é apenas o meu passado (a minha infância) mas a minha ideia do passado (de um tempo antigo). Uma cidade pequena e balnear, com as ruas feitas de propósito para conquistarem um lugar tranquilo, indiscutível, na nossa memória, cores amarelas, áleas cheias de sombra, vivendas elgantes e modestas, bairros de desenho quase pueril, o luxo quase só despontando nas esplanadas com turistas, e mesmo assim muito discreto, árvores que sussuravam com as ramagens nas nossas janelas. E, na rua do Casino, os bonecos.

        Já não me lembrava dos bonecos. Dessa caixa de truques à entrada de um salão de jogos e que com uma moeda se animava. as articulações de madeira tornadas num teatro, os fios que mexiam as marionetas mecânicas, os músicos e os cavaleiros e a demais companhia que nos deliciava com o seu pequeno cinema. Não me lembrava dos bonecos, desses fins de tarde em que uma moeda uma sessão, nossa ou tomada de empréstimo de outros, um semicírculo de miúdos felizes com uma música festiva e as personagens articuladas que saíam dos seus sítios para durante dois minutos nos mostrarem o mundo de plástico e vidro em que estavam encerradas, fazendo o nosso mundo mais vasto e mais pequeno, igual ao delas, mas sem limites, a nossa imaginação como se tivessem os arames que guiam marionetas, tornando tudo possível ao preço de uma moeda ou ainda mais barato.

       Talvez não devesse ter regressado ao lugar onde fui feliz, ou assim me lembro dele, com as ruas baixinhas, quase de brinquedo, as multidões sempre pequenas, os vestígios da praia ainda no corpo ao fim do dia, entre um gelado e a caixa de bonecos. Quando regressei, de passagem, a cidade estava irreconhecível, mais ampla e moderna, já não era minha, a Figueira da Foz já só existe na minha lembrança ou imaginação, se é que há diferença entre uma e outra. Reconhecia os sítios mas não reconhecia o espiríto dos sítios, indistrinçável de quem eu fui, da infância como eu me lembro dela, plácida e segura e cheia de possibilidades. No meio dessa estranheza, entro na rua do Casino e vejo aquela ancestral montra dos bonecos, aquela caixa de madeira e metal, ainda na mesma entrada do mesmo salão de jogos, mas agora ela mesmo uma diversão arcaica, museológica, tão distante como a infância ou os anos setenta. Ninguém lhe ligava nenhuma. Ninguém usava uma moeda que tivesse sobrado, suponho que euros agora em vez de escudos. Os bonecos estavam parados, não tocavam, nem dançavam, nem faziam a sua coreografia automática mas mágica. Meti a mão ao bolso e peguei numa moeda. Quis pôr a infância em acção, musical e cromada, ali à vista de todos e à minha, o circo ambulante e estático da minha infância por entrepostos bonecos. Hesitei. Desisti. Virei costas e pensei: "Nada de melancolia".

 

 

Pedro Mexia, in "Os Bonecos Animados", Sábado2011 Vol. III, Janeiro de 2011.

publicado por carlosfreitas às 01:47

04
Nov 12
publicado por carlosfreitas às 22:09

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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