06
Nov 08

 

 

Deparo-me com o último filme da saga 007 como o grande acontecimento cinematográfico do momento. Um pouco por todo lado. Fico com a sensação que acabou de chegar à comunicação social uma geração de mentecaptos. No preciso momento em que se assiste ao surgir de novos filmes e realizadores nacionais, interessantes. Este sentimento com que observo o mercado interno cinematográfico é semelhante à ladainha dos velhos do Restelo. Não sei, não. Deparo-me com a velha mistela do 007 por tudo o que é jornal, revista, eu sei lá que mais. No entanto no seio da mixórdia, por vezes, existem rasgos de pura anarquia. A mim parecem-me de bom gosto.

A Câmara Municipal do burgo onde habito - Condeixa-a-Nova - acaba de me avisar que neste fim-de-semana a biblioteca local inicia um ciclo de Cinema dedicado ao realizador sueco Ingmar Bergman. Não conheço nem sei quem é o programador da edilidade local, reconheço no entanto o seu bom gosto, mas, e peço desculpa se ofender alguém, parece-me mais uma distribuição de pérolas a porcos. Conhecendo o burgo, mal e porcamente, fico no entanto com essa sensação profunda. Como gostaria de estar enganado. Enfim. Vale a pena passar por lá. Um filme de sentimentos, de intensa profundidade de campo, longos planos, longos silêncios, cinema de metáforas. No fundo a vida colocada em grande plano.

Como pano de fundo, e em jeito de homenagem à Biblioteca de Condeixa e ao cinema, recupero este blogue, entretanto desaparecido onde, rebuscando no seu arquivo de 2004, encontrei um baú de coisas sobre cinema. Ambos eternos, o cinema e os bons blogues.

publicado por carlosfreitas às 13:36

26
Jul 08

 

Como é dia de festarola cá na parvónia nada como comemorar decentemente com esta preciosidade que o Blogue da Rua Nove legou para a posteridade. Pode parecer insignificante mas duvido que exista algum exemplar por cá. Quase que aposto. Querem ver.

publicado por carlosfreitas às 12:16

23
Mai 08

 

 

 

O puzzle do economês vai de vento em popa. O partido governamentalista refugia-se nos mais desprotegidos, nos mais pobres, mas as conversas são como as cerejas, atiram-lhes à cara o relatório, que só diz respeito ao ano de 2004, dizem eles, como se tudo não continue na mesma desde lá para cá. Os argumentos da matraca falante e "premier-ministre" parecem retirados dessa cassete riscada (quando acossados, por norma, acabam todos a engolir a cassete do futuro, do oásis, do discurso optimista para obstar o miserabilismo congénito dos portugueses, esses coitados, calvinistas, etc, eu sei lá pá), dessa dita esquerda moderna, modernista, defensora do Estado social contra uma direita que pretende destruir o peso do Estado. Coitados, não me apercebi da bondade prosaica do partido governamentalista para com os deserdados, com a sua falsa pretensão de manter o ESTADO, quando precisa deles, como do pão para a boca, para justificar as esmolas que parece querer distribuir entre eles. Disfarçam uma estafada (e eleitoralista) fórmula  com a pomposidade das designações (Rendimento Social Garantido). Sim, sei muito bem, sim ,foi em 1996. Agora em 2008 como é que lhe chamam? E ainda existem desfavorecidos. Não acredito. Tanto latim gasto e estes tipos ainda existem. Não pode ser.  Meus caros conterrâneos, acreditem, são esmolas, o que vos distribuímos com o orçamento. Observai o que distribuímos com os fundos de Bruxelas e a quem, de seguida observem o que é que os pobres, vós, os que o sistema designa como os mais carenciados, os que devem (deviam)  ser protegidos, conseguiram deles. Ensinaram-vos a pescar? Deram-vos uma cana?  A politica da esquerda moderna preocupa-se com os mais pobres, com os carenciados, tem preocupações sociais. Afinal de contas eles é que são a esquerda com futuro. Afinal porque  criticam esta esquerda moderna, tão benévola com os principais valores dos mais carenciados, ou seja mais telemóveis, por metro quadrado, mais lcd's e cartões de crédito, mais futebol, mais campo aberto ás crendices. Ontem, não choveu durante a procissão. Milagre. Incontestável. Se estava a chover e deixou de chover. Não é?  Foi isso que vos distribuíram. Palermices e Economia, Pás. A consciência hipócrita do Estado revela-se em pequenos pormenores. Tal como quererem que andemos todos de bicicleta, como fazer para fazer chegar até vós o petróleo. Passará  a vir de bicicleta, meus caros. Os transportes públicos passam a efectuar-se de bicicleta. Pergunta-se. Não.  Então. Congela-se o preço das assinaturas mensais. Pois. Se não conseguirem ler, comprem uns óculos. A segurança social paga-vos! Ou, já não.

(#) Ouvia-se, em som de fundo, o "Beat da Beata" de Ana Carolina e seu Jorge (ao vivo). Numa revendedora de cd's perto de si.

publicado por carlosfreitas às 14:11

06
Jan 08

Récem chegado às terras de Condeixa-a-Nova, cuja história mais recente regista em 1811 o saque e incêndio pelas tropas do General Massena. Mais uma a "ir pró maneta" aquando da passagem das tropas napoleónicas. Pouco, ou quase nada, ficou de pé na velha vila. Serve o prolegómeno, salvo esta minha anormal curiosidade por aracaísmos, para vos apresentar a descoberta de uma das mais surreais personalidades da terra que me acolheu. De seu nome João Antunes, popularmente conhecido pela alcunha de o "Padre Boi". Deixo-vos a informação recolhida na página web da Camâra Municipal sobre a personagem. Que, para além das restantes idiossincrasias da sua vida, ainda tinha tempo e disposição para se preocupar com a educação musical das classes populares. A perenidade da sua memória por estas terras é hoje mantida pelo Orfeon Dr. João Antunes. Eis assim uma das mais carismáticas figuras da minha nova terra. Sei de outras "estórias" que correm sobre o "Padre-Boi. Essas são próprias do sitío e das suas gentes. Coisas muito próprias. Para consumo interno. Para vossa instrução e comprazimento das vossas almas fica apenas a personagem de João Antunes, um homem do século XIX português, um século cheio de figuras ímpares, a marcar a nossa chegada às terras novas de Condeixa.
publicado por carlosfreitas às 22:59

eXTReMe Tracker
Carlos Freitas Almeida Nunes
pesquisar
 
pesquisar
 
arquivos
RSS
blogs SAPO