07
Jan 09

 

Foto de Ana Rita

Mero acaso trouxe ao meu conhecimento que o "Memorial de Camões", existente em Coimbra, não se encontra completo. Para quem não saiba o referido memorial encontra-se, depois de peripécias múltiplas, que não vem aqui ao caso relatar, na Avenida Sá da Bandeira, desde o ano de 2005. Local apropriado, embora a localização original também não fosse de menosprezar, dado que a antiga Alameda do Infante D. Augusto, segundo consta, já não faz parte da velha Alta de Coimbra. Para quem não saiba a referida Alameda dava acesso directo à velha Universidade, onde, numa zona ajardinada, ao lado da Porta Férrea, a Mocidade Académica o colocou em 1881. Fiquei hoje a saber que o monumento foi desfalcado de 131 caracteres em bronze que originalmente dele faziam parte. Do conjunto constavam três frases que rezavam assim: "Os Estudantes de 1879 a 1871", um outro "Cesse Tudo o que a Musa Antiga Canta Que Outro Valor Mais Alto se Alevanta"  e, por último, "Melhor é Merece-los Sem os Ter, Que Possui-los sem os Merecer", frase que viria alimentar, como se deduz, muita da pilhéria académica ao longo de décadas. Por mero acaso, a última frase, mesmo que só, ficaria, de novo, muito bem na base do referido Memorial. O Poeta dos Poetas de certo que agradeceria e nós, sem sombra de qualquer dúvida, ficaríamos com o memorial completo. É que a frase, em falta, faz falta. Vá se lá saber porquê, mas é sempre melhor merece-los sem os ter, do que tê-los, sem os merecer. Embora o leão da estátua ateste bem a falta dos referidos caracteres e do resto. Basta lá ir e reparar. Mas será só a ele, pergunta-se. Apela-se a que sejam repostos os caracteres, mesmo outros, dado que os originais desapareceram e ninguém sabe deles. Um memorial completo é sempre outra coisa.

publicado por carlosfreitas às 14:23

28
Fev 08

 

Reduzir a questão cultural em Coimbra à subsídio-dependência ou pretender transformar o debate cultural numa questão meramente politica, encerrada na bipolarização entre "canhotos" e "bonzos" em luta pelo poder camarário demonstra, cabalmente, a pobreza do espírito que grassa por estes dias na cidade. Está -lhes no sangue o facto de manterem aceso o facho da perenidade ou de uma futricidade serôdia, como se a cidade fosse sempre a mesma e roda-se sobre si com que afirmando a sua beleza já caduca. Muito gostam de reduzir a questão ao bipolarismo. Estranho prazer. Questão freudiana a estudar com atenção. Caso não saibam estes senhorecos que poluem o ar com as suas diatribes politiqueiras e comicieiras estultas enfeudam-se nos seus estatutos de cultores de politicas culturais absurdas. Mesmo que estas estejam prenhes de contradições e de atavismos folclóricos. Porque é disso que se trata. Não sou membro de nenhum partido politico, não recebo comendas nem prebendas, nem municipais, nem nacionais, dai estar  à vontade e plenamente convencido que numa cidade como esta os dias correm cada vez mais como sempre correram ...no sentido contrário ao das águas do Mondego. Na vez de correram na direcção do mundo, encerram-se nos seus desideratos locais e localizados. Bem hajam meus caros, sejam felizes com a vossa entoação canora e com a qual  pretendeis manter o poleiro no velho fado coimbrão. Nada de melhor, tudo para pior. Velha sina de uma cidade que se afunda entre auto-elogios embrulhados nas tangas de um linguajar estupidificante e o desejo de eterno retorno ao que nunca foi. Terra triste de ineses e pedreses a esmo. Em cada pedra da calçada que pisais apenas enterrais o sentido cívico de uma cidade plantada nas bordas de um rio. Eternamente à espera do amante. Daquele que ama a cultura. A cultura despida dos "chás de parvónia" com que a adocicais. Ai meu velho Aguiar que nunca mais mudas a folha...

No entanto o mundo pula e avança...o Fernado Campos prepara a sua próxima exposição de pintura no espaço do Restaurante Nacional, ali para os lados do Arnado, a partir de Março e em Coimbra. Com a cultura deles é que não alinhamos...desculpem lá qualquer coisinha.

publicado por carlosfreitas às 11:00

25
Jan 08


Não me vou hoje embora sem agradecer à Joana Lopes, a possibilidade de aceder a este excelente texto, que pode ser lido no blog Natureza Naturada.
Foto: Avenida João das Regras, Santa Clara, Coimbra, anos Cinquenta.
Esta e outras antigas (e belas) fotos de Coimbra e a história de algumas das transformações arquitectónicas e do património edificado destruído na cidade, podem ser encontradas à porta da Centelha.
publicado por carlosfreitas às 15:15

22
Jan 08

A massa é uma produção, surge como
um produto da própria cultura liberal burguesa conforme Theodor Adorno enunciava. Esse complicado.
Um intrépido consumidor local de cultura não precisava de tanta justificação, mas fica registado. Agora com 130 à perna, meu caro, o melhor é voltar a ver mais do mesmo. Assim sempre são três horas durante as quais ninguém incomoda e sempre são três horas agarrado à cadeira.
publicado por carlosfreitas às 19:58

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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