20
Jul 14

 

 

 

 

 

 

 

Sociologicamente falando, estamos naquela altura do ano em que os autóctenes coimbrinhas se dirigem para as casas de Verão, alugadas ou não, no litoral, ali, ao Bairro Novo. Continuando incansavelmente, ano após ano, verão após verão, ainda crianças, agora jovens, amanhã adultos, a gozar das delicías do clima figueirense, da paisagem deslumbrante, da poética baía, da apanha de perceves, das nortadas, dos barcos a entrar pelo rio, velejadores, remadores, a esplanada de Silva Guimarães, deitando breve vista sobre o agora demasiado popular "Club de tennis", e repousando o olhar, finalmente, sobre o velho farol, que agora, abandonado, esconde um lago moderno, onde regorgitam gaivotas, a Preguiça, do bulício moderno da urbe, no seu "mês e picos" de turismo balnear. É, no Verão, que na Figueira da Foz, futricas e doutores, encontram os vizinhos de um ano passado na cidade do Mondego, na mesma rua, na mesma cidade. É assim que na praia figueirense todos se encontram e, felizes , comunicam entre si, longe quanto baste, de atilhos e estribilhos, que a cidade dos doutores sobre eles incute. Enfim, até que enfim, dizem alguns, vamos lá a isto: descalçam-se e vão molhar os pés. Há contudo, uma expressão cada vez mais recorrente, ouvida, sussurrada, de modo a não ferir susceptibilidades, locais, ou algo que o valha, que faz o seu caminho, deixando pairar essa dúvida se o que assim foi, nunca mais será. Ora, a frase, a frase que se ouve, diz assim - "Era muito mais bonita antigamente! - isto é o que dizem os forasteiros coimbrinhas, aqueles que não são de cá, talvez até um dos muitos turistas de alforge, que os houve, e ainda há, mas quem diz isto são os seus fiés súbditos, os que, invariávelmente, faça sol ou chuva, passam todos o verões na Figueira da Foz, ou mais modernamente que por lá passam, pois a Figueira torna-se mais um lugar de passagem no verão, para as novas gerações, embora não deixe de ser uma referência ainda obrigatória.  Constata-se um facto, contudo aparentemente inelutável, de que as coisas que mudam, nunca mais voltam a ser o que foram. Em Coimbra, esta velha fórmula, lê-se de uma outra maneira, "nunca és, o que nunca foste", presunção tipicamente coimbrã, cidade que nunca foi, o que não é.  Agora o Verão? ... sem pôr os pés na Figueira, nem Verão é, nem nada. 

publicado por carlosfreitas às 13:33

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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