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Jun 14

 

 

regressado recentemente a Portugal, após uma estadia no estrangeiro, na capital francesa, chegado, acabado de aterrar em Portugal, dou conta que é aqui que estou no estrangeiro. é em Portugal que me sinto alienígena. Tenho por isso que retornar de novo. Desta vez, espero chegar a Macau e por lá ficar, sei lá, morrer entre o rio das pérolas e o mar do sul da china, o Mar de Espelho, na etimologia chinesa. Voltar, não conto, a escrita será cada vez mais esparsa e descontinua, mais do que até agora foi. Passou a interessar muito mais escrever em papel, usar, de novo, um utensílio de escrita manual, a vulgar caneta. Os assuntos em Portugal, passam pelo corriqueiro do futebol, à avenida ocupada pelo merceeiro, a uma caterva de políticos corruptos, sujos inundos, uma sargeta de crimes cada vez mais violentos. É isso, o Portugal. A sua essência. Parto para terras estrangeiras, onde em tempos viveram Wenceslau e Pessanha, a que demos o nome de Macau, nos próximos tempos. Não parto com algum ressentimento, parto apenas como um estrangeiro de regresso ao seu país. Deixo-vos a Pátria para nela chafurdardes com afecto. O mesmo afecto com que me passo a despedir de cada um de vós, um a  um, um de cada vez, tal como um condenado ao saltar para o vácuo, um salto no escuro, desconhecido. Não sei quem sois, sequer. Nem me interessa, sabe-lo. Sei que nos despedimos, eu de vós e vós de mim, como num até sempre, dito, ou escrito, já não me recorda, em madrugada fria e luminosa numa qualquer pousada de Pasárgarda. Riam sempre muito e alto. Riam até perder fôlego. por vezes, os mais timoratos, libertam lágrimas. acontece. aguentem-se, firmes, sofram, sigam na frente. somos a única pessoa que nos acompanha a vida toda . Estejam vivos, enquanto viverem. E peçam aos Deuses, os vossos, ou a vocês mesmos para que não destruam o que resta de Persepólis.

 

publicado por carlosfreitas às 00:56

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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