06
Jan 14

A questão historiográfica sobre a lenda "Eusébio", começara ainda antes da realização do seu funeral, decorriam as exéquias públicas. Com diferentes concepções ou correntes historiográficas internas, como queiram chamar, a degladiar-se entre o estertor ideológico do Estado Novo, a nova remessa de leituras historiográficas proveniente dos Estados Unidos, e uma ou outra, mais raras, de influência da mais recente pesquisa europeia. A questão rácica, o Império, ele próprio, enquanto entidade imaterial do povo português, miscenizado, atravessado por diversos e múltiplos cruzamentos de povos, terminará no desaparecimento fisíco "do último mito do Império": Eusébio da Silva Ferreira, português de "Mozambique". Seja, a "memória do Império", e tudo o que isso implica em termos enformadores nas gerações contemporâneas; colonial, que engloba tudo o que a ideia de colonialismo representa nas leituras de fim de século XX, termina com o desaparecimento de uma lenda do futebol português. O desporto popular, das "massas" ditas populares.  É, pois, sobre o fim do Império, repercussões e clivagens internas, que devemos discutir, fazer leituras sobre as quais se deve, ou devemos, por, isso, incluir a morte do mito e o fim do Império em Portugal. Como se irá processar o prolongamento do "mito Portugal", nos territórios que fizeram parte integrante do império, também iremos tomando conta. Partir deste pressuposto será talvez mais importante do que discutir o sangue "impuro" português, ideia que muitos procuram ressuscitar para a discussão histórica, quando é a própria História, que faz registo de todas as intercessões, cruzamentos, miscenização dos portugueses durante  séculos. Discuta-se o fim do Império, enquanto ideia imaterial, consolidando nela uma outra idéia, a idéia de que perante o fim de ciclo, a semente, do próximo, nele estará contida. 

publicado por carlosfreitas às 12:35

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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