20
Ago 10

Ontem, pelo acaso que a minha profissão permite, estive a falar com um idoso Velejador solitário, que seguia caminho em direcção às costas do Adriático, que aportara à marina. Apenas  trazia como companhia, no seu acanhado "catamaran", por um pequeno cão. Sem raça, apenas e só um cão. Um cão, com alma de gente. Quem gosta de cães percebe o que quero dizer. Era um Cão  de muitos mares. Tinha 13 anos, disse-me depois o Velejador. Ao entrar no escritório deixou o cão à porta, preso por uma pequena trela, como é hábito e lei. Disse-lhe que ali os cães podiam entrar, porque eram gente. Gente como nós. E o cão permaneceu connosco, sentado e atento, contra a lei,  enquanto fomos trocando palavras sobre a vida, durante algum tempo. O tempo necessário para  que no fim trocássemos um forte e longo abraço entre dois completos desconhecidos. Muitas vezes, demasiadas vezes, prefiro um cão no escritório, mesmo que contra a lei, que certos animais, que embora não o sendo, nem cães conseguem ser. Dão-se ares!

 

 

publicado por carlosfreitas às 13:40

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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