03
Jul 10

Em tempos que já la vão, responsáveis da edilidade coimbrã, tomaram a excelsa resolução de por cobro a uma forma de transporte obsoleta, poluente, ruidosa e marca de um tempo que Coimbra queria esquecer rapidamente. Cidade moderna, cosmopolita, não se compadecia então com este tipo de meio de transporte urbano. Coimbra, cidade de doutores olhava o futuro com elevo, os futricas esses não olhavam para lado nenhum. O passado era lá atrás. Hoje, os responsáveis de um novo meio de transporte - vulgo metro de superfície- entraram já na era das "obras inacabadas".  Projecto cujo o desfecho se prevê, após o gasto de milhares e milhares de euros, embolsados não na construção, mas na sua idealização, na construção da virtualidade do projecto, repousará na memória urbana, como repousou durante muitos e muitos anos a zona denominada como o "Bota Abaixo".  A megalomania do projecto redundará num "projectinho". Marcado agora para as calendas do fim da crise. Resta-vos olhar, não para a virtualidade, mas para uma realidade, que hoje, quase de certeza absoluta, permitiria a Coimbra, se tivesse sabido manter alguns dos percursos, possuir um motivo de atracção turística, de manter a sua identidade própria. Nem o Museu do Eléctrico coimbrão souberam ainda dinamizar convenientemente. Como se muitas cidades portuguesas se pudessem orgulhar de algum dia terem podido ver passar nas suas ruas este meio de transporte. Se bem me  lembro, recordando figura impar, só  três cidades dele  vão usufruir  já electrificado - Lisboa, Porto e Coimbra -  onde, segundo sei, não  foram mandados para um museu escondido e pouco visitado. Só outra cidade portuguesa, Figueira da Foz, possuíu,  até por volta dos Anos  Trinta, o denominado "carro americano" - já não vendo passar, no percurso que ligava a velha estação ferroviária local a Buarcos, a versão que depois seria adaptada à electricidade emergente.  Nas duas primeiras cidades ainda circulam, para gáudio do turismo, dos habitantes, mantendo identidade e marcando, com a sua presença no ambiente urbano, a marca do convívio salutar entre o modernidade e passado. Só em Coimbra...se ficou a ver passar, para sempre (?), os seus Eléctricos.

 

publicado por carlosfreitas às 10:35
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Carlos Freitas,

De Coimbra tenho uma memória de nos anos 70 ter ficado num Hotel, no final de uma longa uma rua (?) em que a passagem do eléctrico em grande velocidade provocava um ruído característico das rodas a chiar nos carris.
É pena que tenha sido abandonado, pois é uma parte da paisagem de Coimbra que se perdeu.
Por cá (Sintra)também há quem defenda que se deveriam arrancar os carris, e nesse espaço criar uma ciclovia....porque o centenário eléctrico nunca será rentável...
Tenho defendido que o eléctrico é uma imagem de marca de Sintra, e um autêntico museu vivo, razões suficientes para que continue a fazer o seu centenário percurso entre Sintra e a Praia das Maçãs – e felizmente ainda ontem fiz fotos do “velho” eléctrico da Praia das Maçãs em pleno funcionamento cumprindo o seu horário, e servindo além dos turistas a população por onde passa há 106 anos.

http://riodasmacas.blogspot.com/2010/07/de-sintra-praia-das-macas.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2010/06/electrico-da-praia-das-macas-aos-fins.html

Um abraço
pedro macieira a 5 de Julho de 2010 às 00:47

Pedro

Em Coimbra as imagens dos "teus" anos Setenta há muito que se desvneceram. Os miúdos e adolescentes coimbrões nem sequer sabem que, em Coimbra, circulavam eléctricos, embora deles exista um museu, onde se mantém em razoável (ainda) estado de conservação muitas das carruagens. O Museu , embora a Municipalidade e o veresador da Cultura afirmem aberto ao público, tal não é inteiramente verdade. O museu está abandonado! Tenho observado a tua "luta" pela preservação do elétreico sintrense no qual ainda viajei. Desculpa só agora publicar e responder ao teu comentário, mas tenho andado um pouco arredado do blogue.
Um enorme Abraço virtual
carlosfreitas a 6 de Julho de 2010 às 11:26

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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