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Mai 10

 

Poderei entender algumas medidas impopulares, poderei pensar que, olhando em redor, observo que nada, absolutamente nada se passa, para além do trivial: espectáculos paras as massas e pouco mais. Nas muitas pessoas que vou observando repesco preocupações mitigadas pela trivialidade dos assuntos. Assim sendo como poderei entender que os 2,9 % retirados aos ordenados de políticos e a gestores do Estado possa ser entendido como um exemplo explicativo do esforço que as classes dirigentes farão nesta fase da vida nacional aos que já pouco possuem. Ouvi hoje a medida ser aplaudida por alguns comentadores da "situação" como oportuna e bem vinda. Contudo alguns continuam, fora, sempre fora ou nas margens dos aparelhos partidários, a colocar perguntas incómodas ao poder. Uma delas ouvi-a dita por um anónimo português que perguntava sobre essa necessidade de o Estado assegurar a manutenção de bancos privados, encaixando neles milhões e milhões de euros. A sustentação da finança nacional, da banca portuguesa, teria sido gravemente afectada pelo desaparecimento de dois bancos privados? Cuido também que não. Há tempos lia, nada que seja proibido de ler, embora não seja leitura de todo muito recomendável para alguns, embora a visão ampla do processo histórico, tão ampla que inclui o que foi dito, escrito e pensado pelos próceres do anterior regime a 25 de Abril, venha agora à colação neste momento. Em discurso articulado na Emissora Nacional, com aquela voz, esganiçada e desagradável, Oliveira Salazar, a 25 de Junho de 1942, referia que " A época em que estamos vivendo...decorrerá sob o tríplice signo da autoridade, do trabalho e da preocupação social...Nenhuma nação se poderá eximir à autoridade forte, nenhum homem ao dever do trabalho; nenhuma actividade ou riqueza ao critério da sua utilidade social." Eis aqui o que é designado como "o fascismo português". Se notarem algumas diferenças com o articulado hoje...  confrontado com previsibilidade dos acontecimentos esperados e já anunciados.  Compreende-se muito bem o processo evolutivo. das medidas anti-populares. No qual as medidas já definidas, vão sendo anunciadas, de forma cautelosa e faseada junto da opinião pública. Não será pelos exemplos dos homens públicos actuais, ou da sua grande maioria, que posso considerar justo que as inevitáveis medidas recaiam mais uma vez sobre uma classe social já imersa em impostos. O despesismo estatal actual, não apenas com prestações sociais distribuídas "à tripa forra", mas, igualmente, também com encargos com assessores e outras prebendas justificam, na minha óptica, uma reponderação da inevitabilidade de cortes no 13º mês dos que dependem, para sobreviver , do salário auferido única e exclusivamente do seu trabalho.

publicado por carlosfreitas às 15:13

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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