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Abr 10

 


 

A pergunta anda por aí no ar, nos media, nos blogues, nas redes sociais. Centralizada no nosso 25A. Como se o acontecimento, tivesse acontecido apenas porque  aconteceu. Colocamos fora dele a geo-estratégia internacional das grandes potências. Colocamos fora a bipolarização da guerra-fria. Colocamos fora acontecimentos mundiais que condicionaram a eclosão e desenvolvimento.da revolução. Muitos desprezam, nas suas leituras, um sem número de acontecimentos que tiveram lugar no pós II Grande Guerra. Nas muitas expressões que fui observando surgem desde as mais saudosistas, relacionadas com o regime deposto, a expressões que se dedicam exclusivamente a exaltar valores protelados com o golpe do 25Novembro, outras exaltam os momentos seguintes.  As comparações revelam-se inevitáveis, as barricadas continuam, trinta e cinco anos depois. A culpa é colocada, como fardo, aos ombros da grande maioria dos políticos do pós-25A. A actual situação económica e financeira dos trabalhadores assalariados, eternos contribuintes líquidos de todas as crises, inventadas, os casos de corrupção, comprovados ou não pela justiça, servem como mote para a grande maioria desses comentários. A reflexão da recente crise ataca porventura, como nenhuma outra, alguns dos considerados direitos inalienáveis dos trabalhadores, as cambiantes do denominado "Estado Social". Um pequeno país, inserido á muito nas margens do contexto europeu, contribuiu, a 25A, uma vez mais, pois já o havia feito em 1910, para a História da Europa. O 25 de Abril português, visto a esta distância, tem hoje, várias e múltiplas leituras, elas formam o poliedro da sua interpretação conjuntural, actual, onde a história vai descortinando, no eterno caminho de construção da memória todos estes enquadramentos possíveis. Muitas dessas interpretações e leituras, quer a dos seus personagens, pretendem, assegurar o lugar na História. A isenção, impossível, quer dos historiadores, quer dos partidários das diferentes facções, nascidas, ou que emergem da clandestinidade, no pós-25 de Abril, farão, com que esta última revolução ocorrida no século passado, em Portugal, acabe, inevitavelmente, no estado em que se encontram as memórias da implantação da República em 1910. Leituras diversas, umas, mais consentâneas com a realidade da época, outras perpassadas pelo crivo da ideologia política e social, todas elas implícitas nos diferentes contextos da leitura daqueles aocntecimentos. Concluo, assim, que existem hoje diversos "25 de Abril", dependentes dessas variáveis, das memórias e ntervenção que cada um teve, ou viveu, ao longo destes 35 anos. Relembro os que morreram, sem o viver o acto revolucionário.  Todos os que de uma forma mais ou menos anónima, mais ou menos desinteressada, contribuíram para que os ideais proclamados naquele dia, tivessem resistido à usura de 48 anos de um regime que calou a liberdade. No fundo, é essa liberdade conquistada, que resta hoje. O que fizemos dela ao longo das últimas três décadas e meia é da nossa inteira responsabilidade. Creio que os jovens de hoje continuam a reivindicar o que muitos de nós reividicávamos então, o fim das proibições e das convenções socialmente instituídas, o controle permanente dos comportamentos que procuram fugir das regras instituídas. Uma sociedade que, como à 35 anos atrás, continua a olhar para a diferença com a mesma desconfiança que então sentíamos. Hoje reivindica-se o retorno à "excentricidade" dos "enfants terribles" do Maio de 68. Em Portugal, sem muitos o saberem, a revolução mental continua por fazer.

publicado por carlosfreitas às 20:21

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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