09
Abr 10

 

 

Sempre li o V.P.V. Gosto da capacidade sintética e analítica do nosso homem de Oxford. De apanhar as coisas no ar transformando-as em verdade. Bem, verdade não, verdades. Inquestionáveis. Tirando esses assomos, leio o V.P.V., como mastigo o M.E.C. Gosto de ambos. Podem atirar pedras à vontade. Gosto de ler intelectuais às direitas. Mas esta sexta-feira a crónica do jornal Público fez me rir. Foi mais um sorriso, convenha-se. Tal era a peneira a querer tapar o sol. Com a direita portuguesa em papos-de- aranha, usarndo abusivamente de uma terminologia popular, fórmula que, convenhamos, os intelectuais às direitas não tem, nem devem ter, pudor em recorrer. Contava eu que li, com estes olhos, o V.P.V., a esfalfar-se em desancar nos "intelectuais de esquerda", grupo que identifica de forma míope. Talvez seja um assomo, mal disfarçado, de polidez. Sentimento muito pouco V.P.V. Mas, vá lá, faça-se um esforço e imagine-se V.P.V, a ter um pequeno assomo de polidez. Ora, esses tipos, que antigamente andavam por aí, com uns livros debaixo do braço, longas barbas talvez, numas tertúlias, bem engendradas, sentados nuns cafés, onde tudo discutiam e punham em causa, hoje, não passam de um bando de lamurientos, reproduzindo as lamúrias numas quantas páginas espalhadas pela internet e pouco mais. Uns tipos, por sinal, já muito pouco utópicos. Mas o sorriso despertou quando ao longo de meia dúzia de linhas V.P.V., pede - de joelhos, quer dizer ele aconselha, eu é que me pareceu vê-lo nessa posição - aos partidos do situacionismo, mais à esquerda - no caso explícito, o P.C.P e o B.E., a promoverem uma espécie de Maria da Fonte, versão 2010. Pareceu-me, juro que me pareceu, distinguir alusões, embora veladas, a que aqueles recorram a umas boas manifs "à la Prec", quiçá uma "invasãozinha" do Parlamento, inclusive com uma noitada de sequestro, ajudando a correr com  uns "intelectuais de direita" que por aí andam a infernizar a vida dele e a nossa. Mas nós já estamos habituados a que assim seja. Nunca foi de outro modo, desde que me lembro. Segundo V.P.V., a direita portuguesa está de cócoras. Gostei desta. Foi do que mais gostei. Estando o país no estado lastimável em que se encontra venham então de lá esses intelectuais de esquerda novamente, com as suas utopias à ilharga, para ver se a situação muda. Avancem as Carbonárias, pareceu-me vê-lo querer dizer. Mas não diz, escreve antes utopias. Apetece-me citar popular Beatriz,  dum tempo em que nem todos os Vascos eram Santanas, sé é que me consigo fazer entender: Ò Vasco...chapéus à muitos.

publicado por carlosfreitas às 21:07

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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