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Abr 10

"Durante anos os governos pediram dinheiro emprestado a Londres e Paris para construir caminhos-de-ferro e custear as despesas públicas. A certa altura, os novos empréstimos destinavam-se exclusivamente a pagar juros dos mais antigos. A factura não tardou a chegar. Em 1891, quando as finanças públicas entraram em colapso, os encargos com a dívida externa ascendiam a 40% das despesas do Estado. A crise do crédito entrelaçou-se com a crise económica internacional e Portugal acabou por decretar a bancarrota, embora parcial (decretada a 13 de Junho de 1892, dado que com a corrida aos depósitos, o Banco de Portugal ficou sem reservas e outros bancos tiveram de suspender os pagamentos). Estava criado o cenário para pôr fim aos "desmandos" do Fontismo (a aposta nas obras públicas) [...]. O The Economist, (de 6 de Fevereiro de 1892) escrevia sobre Portugal: «O país está a viver acima dos seus meios. Mais tarde ou mais cedo era inevitável que acabasse em bancarrota».

 

Ferreira, Clara, "Portugal na Bancarrota", Visão História, nº 7, Fevereiro de 2010, p. 42-43.

 

"Preocupa-me, porém, que alguns artigos se centrem, quase exclusivamente, nas dívidas e défices orçamentais, como se o único problema fosse o despesismo dos governos. É uma maneira de levar a água ao moinho dos nossos falcões do défice, que querem reduzir a despesa pública - mesmo numa situação de desemprego massivo - e agitam a Grécia como exemplo do que acontecerá, se não o fizermos. A verdade é que a falta de disciplina orçamental não é a principal causa dos problemas que a Europa está a viver. A verdadeira razão desta "eurodesordem" é a arrogância das elites que levaram a Europa a adoptar uma moeda única, muito antes de o continente estar preparado para isso"

Krugman, Paul, The New York Times, 04.02.2010 - Courrier Internacional nº 170, Abril de 2010

publicado por carlosfreitas às 17:51

Não se deve roubar nem furtar, eu sei. Mas, perante esta foto do velho Santa Cruz, não resisti. Para aliviar a minha consciência, fica a nota, mande depois a conta.
Abraço e boa Páscoa. Isto é com bons escritos (já sabe que gosto muito de ler o que escreve).
Luís
Luís Fernandes a 3 de Abril de 2010 às 12:46

Luís , o texto que acompanha esta imagem no seu "Questões Nacionais" - e Coimbra é e será sempre uma Nação, embora os percalços - vale mais que as minhas prosas. Obrigado pelo sentimento que nele transmite. Incomum, ou, seja, pouco comum, nos dias que nos circundam.
Obrigado e um Enorme Abraço blogoésférico .
carlosfreitas a 3 de Abril de 2010 às 20:05

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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