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Nov 09

 

Contraí um caso agudo de preguiça. Mental, física, eu sei lá mais o quê. Portanto vou esticar-me num qualquer canto da casa tentando ouvir o silêncio. Impossível. Hoje é domingo, há sempre quem sai e não consegue evitar bater com as portas, de uma forma displicente, anunciando ao mundo a sua partida ou chegada. Ou então descem ou sobem pelas escadas como se obrigassem a assistir a um interminável filme sobre animais pré-históricos. Tipo tiranossauros. Ou desse tipo. Detenho-me entre abrir um livro e não ler. Olhar para a T.V. e apetecer-me escaqueirar o objecto. Reprimo o acto. Antes que aconteça como é conveniente. Demoro-me propositadamente a tentar perceber o que os manuscritos de Nag Hammadi, caso não fossem considerados uma heresia, poderiam trazer ao pensamento ocidental, europeu. Concluo que a metafísica daquele amontoado de metáforas e parábolas é interessante. Ainda estou no princípio. Por isso alimento a preguiça, ou é a desmedida preguiça que me alimenta.

publicado por carlosfreitas às 17:55

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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