04
Nov 09

Hoje deparei-me com uma recente organização que se opõe à frequência por parte da sua prole das aulas de educação sexual. Filosoficamente partilho algumas ideias próximas do consequencialismo. Creio assim que as medidas tomadas pelo Estado em que vivo se devem orientar segundo o princípio de que estas devem ser mais favoráveis a todos do que o contrário. Uma certa ortodoxia que reconheço nesta organização torna a sua prole como algo que intrinsecamente lhes pertence. São seus. É um sentido de propriedade. Poderemos concordar ou não. Estão no seu direito. Contudo nem sei bem se esse pode ser considerado um modelo de prodigalidade, de liberalidade. Convenhamos atentamente que me parecem não ser defensores da liberalidade como carácter. Defendem a sua própria consubstanciada na propriedade, neste caso dos seus filhos. Ao Estado reservam apenas o papel de defesa da sua a propriedade, nunca que se envolva no seu desenvolvimento e educação.À introdução proposta pelo Estado no âmbito da educação sexual chamam "nacional-sexismo". Contudo apelam à intervenção do mesmo Estado - através do recurso à Segurança Social - na reorientação do que consideram pais displicentes. Ou sejam são pró nacionalização da displicência. Da interferência do Estado na displicência. Ao Estado, a que recusam a difusão dos princípios básicos da sexualidade humana, aceitam que interfira apenas nas situações que pensam ser degenerativas da sua condição de pais extremosos e afectuosos. Noutro dia reparei que existem pais que concordam com as directrizes do Colégio Militar e defendem-nas. Referem que a exposição dos filhos à educação sexual através do sistema de ensino se reveste de uma expropriação dos seus filhos por parte do Estado.  Na realidade conhecemos a âmago destas organizações, quando envolvem a ideologia sob a capa da protecção dos seus próprios filhos. O que pretendem alcançar está pressuposto e não surge claramente definido  porque oculto. Aparentam uma superioridade enquanto pais que me parece demasiado suspeita. A "philia" ideológica parece-me mais consequente que  o amor aos filhos. Uma das presunções que defendo numa democracia é a defesa das minorias. Mas insisto que uma minoria deve ser igualmente tolerante para com outros princípios mesmo que diferentes dos seus. A não ser assim estamos perante mais um caso típico de nacionalistas e não de uma minoria, para não lhes chamar outra coisa. Por outro lado sou Pai, defendo a liberdade do conhecimento, seja ele ministrado por mim ou através da escola. Não distingo entre a obrigatoriedade das antigas aulas de Religião e Moral, cuja orientação era  maioritariamente católica, cujos alicerces eram sustentados numa existente maioria de católicos-não-praticantes  (fórmula que convenhamos era muito discutível)  ministradas no ensino oficial e concordei e lutei para que a liberdade de escolha aqui fosse universal e a questão da aulas de educação sexual. Defendo o princípio básico da livre escolha.  Não existe princípio mais universal que o princípio da liberdade na escolha  Algumas pessoas aprendem melhor a discernir com as suas próprias muletas que as auto-impostas pelos pais, Pais que em muitos casos são igualmente produto de uma educação em que eventualmente estiveram sujeitos ao principio da não liberdade de escolha porque essa seria a opção dos progenitores. Embora legítima a existência da plataforma, os argumentos, esses, parecem-me demasiado falaciosos.

publicado por carlosfreitas às 10:35

eXTReMe Tracker
Carlos Freitas Almeida Nunes
pesquisar
 
pesquisar
 
arquivos
RSS
blogs SAPO