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Out 09

Na maioria do casos, na maioria não, em todos, escrevo aqui, seguindo aquele, possivelmente, ancestral provérbio que refere que todo o português executa grande parte das suas tarefas em cima do joelho. Não sendo característica genuinamente portuguesa,  não creio que sejamos únicos no gesto, o português é caracterizado por deixar tudo para a última da hora,  resolver situações melindrosas no último momento, no último respiro. Compreendo. Assim sendo neste país, existe uma boa maioria de portugueses que vivem no assomo permanente da corda bamba. À beira de precipício, onde quase nunca tombam ou se tombam tudo fazem para que não se saiba. Somos assim. Escrevo no blogue quase sempre em cima do joelho, usando o teclado, se é que me faço entender, na maioria dos casos a frio. Ao contrário daqueles que o fazem a quente. Há muito que deixei de ler jornais no papel. Não tenho nada contra jornais, muito mais contra a utilidade que se dá ao papel. O excesso de utilização irracional do papel irrita-me. Soa-me a burocracia. Até nos jornais o excesso de burocracia das páginas de assuntos comerciais pura e simplesmente enoja-me. Ora lendo, as notícias, nas entrelinhas observo que grande maioria delas são puramente anúncios e não notícias. Poderia assentar aqui resmas de exemplos. Mas não vou maçar ninguém com eles. Fico-me pela constatação de um facto antigo. A velha questão da congénita falta de produtividade dos que vendem a sua força de trabalho neste país é a mais falsa das questões que ali vejo reproduzida. Seja o problema assinalado pelos eurocratas "bruxelensis" como pelos que aqui fazem as suas vezes, para consumo interno. Assim como os elevados salários praticados, segundo esses relatórios, me levantam sérias e muitas dúvidas. Fico sem perceber a quem na realidade se referem. A introdução de um diferente regime de trabalho, onde se inclui um famigerado banco de horas, que tem sido, de forma inteligente muito bem utilizado pelo empresariado português, desvirtuando totalmente o consignado em lei, mantém as minhas reservas sobre a forma como o assunto é abordado. Como sabemos os pontos de vista de uns não coincide, talvez nunca venha a coincidir, com os que estão do outro lado. Refiram-se então nas notícias  ( que reputo anúncios publicitários, porque não respondem todas as questões que uma verdadeira notícia deve responder) vindas a este propósito a quem pertencem esses altos salários pagos a esmo, pelos vistos assim é, e dir-vos-ei o porquê do incessante martelar na falta de produtividade e em altos salários recebidos pelas classes trabalhadoras deste minúsculo país. Ressalve-se aqui, em cima do joelho, a necessidade urgente em se conhecer de forma mais profunda e consistente quer do ponto de vista sociológico, mental, antropológico até, do empresariado português. De alguns factos e características temos perfeita consciência: pouco inovadores, fracos atributos pessoais, a não ser aqueles que lhe concedem o poder do dinheiro ou a posição social donde emanam, para a condução de empresas, o elevado deficit de escolaridade e sua actualização, a profunda dependência de um Estado, que muitos , de forma pretensa, combatem, quando lhes interessa e que por sua vez bajulam, de mão estendida, quando óbviamente também lhes interessa. Falta à maioria craveira intelectual, e, mais importante, convicções morais e éticas, que embora em desuso, deviam ser promovidas e incentivadas. E nem sequer refiro alguns gestores ao serviço das entidades estatais ou pró estatais. Fico-me pela rama, como é de bom tom para quem escreve em cima do seu joelho. Os trabalhadores esses são o bombo desta festa. Como é linda a festa, pá. Volte-se a trabalhar de sol-a-sol, ao som dos sinos do campanário ou ao silvo das fábricas da segunda industrialização. Volte-se atrás no tempo. No fundo, bem lá fundo, o que eles pretendem é destruir direitos instituíndo apenas deveres. Projecto velho e conhecido. Daí que a denominada "Primavera marcelista" reste nalguma memória e assim tenha ficado conhecida, contudo pereceu nas mãos dos interesses corporativistas que se encarregaram de enganar alguns revolucionários a promoverem uma revolução. A seguir enterraram a Primavera, como agora decretam mudanças da hora. O mundo prossegue o seu curso.

publicado por carlosfreitas às 09:44

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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