14
Set 09

 

Enquanto o país arde no brando lume de uma campanha de "esfola gatos". Onde vale tudo. Venho aqui escrever sobre essa linha imaginária que separa países: a Raia. Cinéfilo empedernido, sempre apreciei o documentário. Documento visual de determinada realidade, construído pela sensibilidade. Muito mais que pela ilusão que o cinema nos traz à vida. "A veces las historias reales son tan ricas que no hay ficción que las consiga superar." é  frase da autora, Diana Gonçalves, que partilho.

 Este chegou-me através desses Fios Invisibles, que, na realidade, atravessam fronteiras sem papeis e sem autorizações. O blogue Fios Invisibles pertence a uma jornalista recentemente despedida da Rádio Galega. Ponto final. Não pretendo comparar factos. Existem profundas diferenças, embora o fim seja o mesmo. A incomodidade. O que pretendo é  chamar-vos a atenção para esse desprezo peripatético que os políticos sentados em Lisboa parecem querer demonstrar (é só na aparência) para com os  vizinhos, sobretudo quando a falta de argumentação se torna perene. Um outro motivo, mais comezinho prende-se muito por causa da estranha ligação que tenho com a Galiza. Um dia quando, pela primeira vez, atravessei a raia minhota, entre Portugal e a Galiza, tive a sensação estranha de que por ali viajaram as minhas raízes. Na verdade, António de Freitas, meu avô materno, enterrado vivo na migração para Lisboa dos anos Quarenta, também, a seu modo, calcorreara aqueles caminhos. Soube-o muito mais tarde. Este é um Documentário no feminino, "Mulheres da Raia". Apelo à memória de uma ligação extrema e dependente entre mulheres que, de um lado e de outro, atravessavam quotidianamente a linha imaginária construída. Vale a pena olhar para este diálogo que muitas vezes os políticos conhecem, mas que, em determinadas alturas, desprezam. A própria construção do documentário foi obrigando a que a paralisia cultural que atravessa os lados políticos da fronteira fosse esmorecendo quando esta, e outras realidades se vão atravessando no seu marasmo.

publicado por carlosfreitas às 10:22

Graciñas e moitas apertas transoceánicas!
Torredebabel a 14 de Setembro de 2009 às 22:56

Muito Obrigada. Agradeço e retribuo o seu abraço (apertas).
carlosfreitas a 16 de Setembro de 2009 às 10:55

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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