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Set 09

 

O neto de José Emídio Ribeiro Correia Guedes e de Francisco Pulido Valente perorava, esta sexta feira, na habitual crónica das sextas-feiras, no Publico, sobre se "Existem classes?". A pergunta e o texto tendenciosos vinham sublinhados por fotografia de Jerónimo de Sousa, a propósito do espanto deste, aquando do debate com M.F.L., sobre a possibilidade de alguém conceber a inexistência de classes, suponho que sociais. Ora o neto, daqueles dois senhores, não deve saber, que até entre ovos existem classes. Escreve ele, a esse propósito, que existe uma conspiração internacional para reabilitar Marx. Parecendo que Mário Soares ( que nunca terá lido o "O Capital" - imagine-se!) também faz parte da irmandade. Ora a cada ovo a sua classe. Repare-se num exemplo comezinho: o fim da 3ª classe nos transportes ferroviários. Terá o acto representado o fim do bordel classificatório? Claro que não. Demonstrou unicamente que havia uma classe com excesso de subdivisões e carruagens. Vai dai, os antigos frequentadores da terceira classe, foram obrigados a pagar um pouco mais para fornecer um ar mais composto às carruagens de 2ª classe. Deste modo alimentou-se o ego das classes utilizadoras da 3ª classe ferroviária, que, supostamente, pensaram ter subido no nível classificatório das Companhias ferroviárias. Puro engano o deles. As denominadas carruagens de 2ª classe passaram, invariavelmente, a transportar a mesma classe. Só que agora menos subdividida. Daí que se alguém me pergunta se existem classes, eu responda que existe muita falta. Penso que, na realidade, existe uma tremenda e enorme falta de classe quando alguém perora sobre a inexistência de classes sociais.

publicado por carlosfreitas às 00:31

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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