08
Set 09

Ontem olhei para a televisão. O debate (talvez o único, até agora, que observei de fio-a-pavio) intrigou-me. Aparentemente a social-democracia instalou-se nas pontas do nosso sistema político. Um e outro (P.C.P (ou C.D.U., como der mais jeito) e P.C.P. (ou C.D.S., como for mais conveniente) pareciam dois espectros vindos do além. O tacticismo - algo necessariamente em voga nos tempos que correm - transformou duas ideologias antagónicas e distante em velhos "compagnons de route". Eleitos os adversários principais (a arrogância das maiorias parlamentares (na qual Portas já teve assento) e Bloco de Esquerda que embora possa vir a retirar alguns votos ao P.C., parece contudo mais interessado em captar votos da esquerda socialista e não surja, por isso, muito preocupado com o P.C.P. Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, muito por via da política desenvolvida nos últimos quatro anos e meio, estiveram, em alguns pontos, de acordo. Ora os, outrora, antagónicos partidos versejaram a mesma cartilha pontuada aqui e ali de pequenos salpicos de ideologia para destoarem um pouco. Inacreditável ou não há quem veja, nas célebres teorias da conspiração, uma ligação entre fascistas e neo-marxistas, num futuro próximo, um dos planos para a nova ordem mundial (observe-se para isso e atentamente a China). Os comunistas dirão que foi o P.P., por pura táctica eleitoral, que arregimentou as suas habituais bandeiras e campos de acção. O P.P., por sua vez, negará tal monopólio aos comunistas, o que não deixando de ser uma realidade actual, não o foi em tempos recentes. Aproximações temáticas, que não de conteúdo, eram expectáveis, face ao cenário de imprevisibilidade que todos reconhecem o próximo acto eleitoral. Apenas temo que o Homem do Leme de Belém consiga alcançar o sonho que Sá Carneiro perseguiu, enquanto primeiro-ministro: um Presidente, uma maioria. Cavaco Silva optou primeiro por se instalar em Belém. Dali a visão é outra. Tirando este pequeno aparte gosto dos factores que provocam esta imprevisibilidade eleitoral. Motivos que levam os principais actores a portarem-se como autênticas baratas-tontas. O que implica que pergunte se alguém, por acaso, ou engano, deu poncha a beber à líder do P.S.D. durante a recente visita à Madeira?

publicado por carlosfreitas às 12:23

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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