05
Set 09

 

 

Nada melhor que um afável e simpático burro para começar a zurzir nas declarações provenientes a público do responsável pela Metro Coimbra.

Embora retiradas de mais largo contexto estas valem por si. Sequem sublinhadas, por mim, tal como chegaram ao meu conhecimento através de um órgão da imprensa local, simpaticamente designado, em linguagem coimbrinha, como "Calinas" e que transcrevo "copy-paste": "«Na opinião de Álvaro Maia Seco, o estacionamento no centro da cidade é demasiado valioso para ser gratuito, pelo que o pagamento deve ser usado como «instrumento de regulação da procura», penalizando estacionamentos de longa duração. «É aceitável que a primeira meia hora seja gratuita, a segunda hora já seja a doer e a terceira hora demasiado cara ou mesmo proibida»".

Na realidade, caro senhor, a primeira meia hora não dá sequer para tomar café, no decurso da segunda hora ainda muitos de nós estaremos nas longas filas da Loja do Cidadão esperando que chegue a nossa vez e, finalmente, na terceira e última hora (a tal que, segundo palavras doutas, deve ser já tão demasiado cara que só provavelmente os amigos dos gajos "porreiraços" a podem pagar) sirva como uma espécie de ordem de expulsão dos indesejáveis cidadãos que abusivamente permaneçam no interior da cidade. Ora quem vem da margem Sul deixa o carro onde? Apanha o Metro para a Baixa onde? Na Lapa dos Esteios? Sabe V. Ex.ª, por acaso, que três horitas passam num instante quando se tem que ir às comprinhas à "Baixinha"? Não sabe? Claro que V. Ex.ª terá concerteza alvará de circulação e utilização VIP, quer nos parques de estacionamento, quer nas lojas do actualmente designado comércio tradicional. Que de tradicional tem já muito pouco. Não justifica vender sapatos na baixa para se dizer que o referido estabelecimento faz parte do designado comércio tradicional. O senhor pode ser professor universitário, com currículo na área em questão, mas o que o senhor não explica é a quem iremos pagar tão elevado preço pelo estacionamento. Esse seria um primeiro ponto para todos entendermos porque teremos que ser deste modo penalizados pela utilização do burro que nos transporta até à cidade. E se, os comerciantes, os que acreditarem em si, esperando que, com estacionamentos tão caros, segundo as suas palavras, passarão a ter mais clientes, bem podem esperar muito bem sentados atrás do balcão. É certa a necessidade de ordenamento, para isso são necessárias zonas de estacionamento, que não existem, nas zonas periféricas. O que existe não chega para as necessidades. Repare que por exemplo de Condeixa-a-Nova a Coimbra, míseros 20 km, feitos em 10 minutos (simpaticamente, não ultrapassando limites de velocidade) em viatura própria, demora-se uma hora a percorrer em transporte público. Não há paciência que resista, ainda por cima depois de pago o imposto de circulação, que impeça a não utilização do transporte pessoal. A sua miragem pode ser imposta, sem dúvida, quando observo o que se passa no estacionamento na própria zona universitária, com milhares de funcionários e alunos e centenas de carros sem opções, ou com opções de transporte desadequadas. Eu, que utilizei, desde o primeiro momento, o parque periférico da Casa do Sal, onde deixava o burro, para a partir daí aceder à Alta, fiquei à uns tempos a ver passar os burros, porque o serviço havia pura e simplesmente terminado depois de mais um engenheiro o ter inventado como a solução do século XXI para o desanuviamento do tráfego urbano de Coimbra e em especial da zona universitária. E, no dia em que vir o Metro a passar, irei lembra-me destas suas palavras e perguntar onde está o tal elevador que a este e seguindo a Couraça de Lisboa, se construído, permitiria elevar os cidadãos, auto-transportados, da Avenida Navarro, até à Alta da cidade. Esta zona, que engloba o terminal actual da Linha da Lousã e onde se deveria ter deixado espaço para alargar a oferta de estacionamento, foi "simpáticamente" ocupada pelo belo "Jardim do Mondego", dado os terrenos terem alto valor para construção (especulação, será a palavra mais apropriada) imobiliária, mandando, desse modo, para as calendas o interessante e referido projecto. Assim pelo contrário, embora desaparecida a velha Torre da Portagem, volta-se a taxar os cidadãos para entrarem na cidade. Penso que já é medievalidade a mais. Daí que passarei a optar pelo burro para entrar na cidade de V. Exmª, deixando-o a pastar junto do Joaquim de Aguiar.

publicado por carlosfreitas às 17:34
tags:

Concordo consigo. Aliás, escrevi um texto no meu blogue (www.questoesnacionais.blogspot.com (http://www.questoesnacionais.blogspot.com)) que vai no mesmo sentido.
O problema é que a cidade de Coimbra sofre de (pelo menos) dois problemas: os que gostam tanto, tanto, da cidade, que, depois de eleitos, ficam parados, extasiados a olhar para ela; e de outros tecnocratas, cientistas, professores universitários (não todos) que julgam saber tudo sem precisarem de ouvir ninguém. O resultado constata-se: temos uma Baixa a morrer um pouco todos os dias e uma cidade a estender-se para a periferia, a encher grandes construtores civis.
 Enfim...uma merda (desculpe o termo),  porque até me irrita esta pachorra...que não tenho.
Um abraço.
Luis Fernandes
luis fernandes a 8 de Setembro de 2009 às 12:57

Eu li o o seu texto um  ou dois dias depois de o ter publicado no seu blogue. O mais interessante é que sem sabermos escrevemos sobre o mesmo e com uma perspectiva muito semelhante. As palavras do "senhor MM" só mostram falta de sensibilidade para os problemas reais e falta de senso comum para práticas que já estão a ser enjeitadas na Europa. O que justifica que até os técnicos precisam de ser reciclados. Já não somos assim tão burros e pobrezinhos de espírito que venha agora um "iluminado" dizer como deve de ser, se sabemos que assim não pode ser!
Um Abraço
Carlos Freitas
carlosfreitas a 8 de Setembro de 2009 às 16:37

eXTReMe Tracker
Carlos Freitas Almeida Nunes
pesquisar
 
pesquisar
 
arquivos
RSS
blogs SAPO