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Ago 09

 

Sempre gostei muito de comparações. Esta sempre a achei deliciosa, bem conseguida e quem a produziu revelava uma imaginação bastante fértil embora na época fosse uma comparação possível. No tempo em que foi produzida o império ainda valia qualquer coisinha. No fundo pretendia afirmar que Portugal era comparativamente um grande país europeu. Hoje não o sendo fisicamente, seria impossível reproduzir graficamente esta mentira aparente. Actualmente as distorções são feitas com base em comparações com outros países, onde as economias são mais fortes, o  leque de indústrias muito maior e mais poderoso e onde o número de habitantes é superior. A grandeza implica maior grau de dificuldade face á actual crise. A pequenez implica que esse grau seja menor, embora enorme a dependência do país. Não me preocupa que os resultados de uma aparente melhoria de alguns números, seja saudada de forma efusiva, gosto é de entender o porquê quando outros números contradizem essa realidade e são claramente menorizados. São eles, afinal, os grandes países europeus, que não conseguem atingir as nossas proezas. Concluindo continuamos a ser os maiores. Em tudo, até na forma como fazemos propaganda. Continuando a comparar o que é impossível comparar. E não me falem em fé no futuro. Porque não sei o que é o futuro. Falem-me em fanatismo e arrogância em lugar de fé no futuro e a partir daí poderemos estabelecer bases para um diálogo.

 

Foto: Vieira, Joaquim, Portugal. Século XX. Crónica em imagens 1930-1940

 

publicado por carlosfreitas às 19:31

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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