19
Mai 09

Grassa por aí um medo que conforma.

Impera  de novo o manga de alpaca que espreita, abanando a cabeça, sempre a dizer que sim, quando se lhe afigura quem manda.

De costas aquele surge o manguito.

O gesto escondido do escravo que não se liberta dessa condição.

Medra o individualismo. Toma proporção, sabendo que o isolamento  quebra solidariedades. 

Ao medo pacóvio da mudança, regido pela economia, cola-se o salve-se quem puder. Soletra-se o verbo apenas na condição da primeira pessoa.

Crescem desmesuradamente umbigos nestas gentes.

Rebenta pelas costuras a indigência mental.

De tantas vezes curvados, ao chão apenas lhes falta um palmo.

Cai tu antes de mim, ouve-se.

                           E o medo toma conta deles.

Engordam a sorver as gotas do medo próprio.

Escarnecem dos que avançam de cara destapada e ao vento, eles que cambaleiam na horizontal.

Enterram-se junto com o seu próprio medo.

 

 

publicado por carlosfreitas às 22:02

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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