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Mai 09

 

"Os sectores mais nostálgicos do passado - desde os defensores dos rigorismos confessionais às correntes que aceitam a contra-gosto o jogo democrático, subvertendo-o sempre que podem - descrevem a sua aparição como resultado da derrocada de um «antigo regime» que nunca existiu. No qual, dizem, um dia imperara a decência e os bons costumes, a ordem e a disciplina, a contenção moral, imposta por um Estado que se presumia pai e tirano, da divergência e da revolta. A corrupção do mundo seria assim coisa recente e ficaria a dever-se, para esta gente que apenas recorda aquilo que lhe importa recordar, aos movimentos emancipalistas e revolucionários dos últimos dois séculos - empenhados, naturalmente, em inventar quimeras e em criar a desordem - bem como ao declínio das sociedades tradicionais e dos valores que consagram a religião e a autoridade. No renascimento da prática sublime e virtuosa da obediência e da resignação, estaria então a salvação, sendo o retorno à rigidez das hierarquias o caminho a seguir."

 

Rui Bebiano -  " A Terceira Noite".

 

E este pequeno excerto (convém pois ler o texto todo) vem ali e a propósito da violência urbana, não a recente, mas aquela que, de certa forma, vai nascendo e medrando, cópia fiel de outras sociedades que de forma paulatina se instala e invade o quotidiano português. Serve contudo o excerto para matriz do meu julgamento pessoal sobre certos factos que ocorrem numa escola do Pinhal Novo. Temo e bem sei que esta pode ser contra-corrente, conto contudo que existam algumas posições semelhantes. Penso o assunto do ponto de vista da liberdade individual no vestir e calçar dado que este comportamento humano não deve derivar de pressupostos emanados de formas arbitrárias. Apelar ao bom senso é apelar a quê? Qual a definição para o conceito de bom senso. O que é  bom senso? Torna-se universal apenas porque a maioria pensa e age de uma determinada forma ?  De que nos vale pensar sobre a realidade aparente, sobre o que está para além da realidade, se não discordarmos agora destes sobressaltos. Afinal já é de novo proibido pisar a relva?

publicado por carlosfreitas às 13:02
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Carlos Freitas Almeida Nunes
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