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Mai 09

Ontem, um "erro humano" deixou de fora da transmissão  da final da Copa del Rey/2009 da TVE o hino nacional espanhol e a consequente entrada da família real. Compreende-se o erro pelo facto de terem procurado poupar os espectadores ao triste espectáculo, recorde-se aos mais distraídos que em jogo estavam duas equipas que representam duas comunidades autónomas de fortes traços independentistas, com que foram recebidos, com particular fúria, pela massa humana que enchia por completo o belo Camp de Mestalla, em Valência, onde se concentravam cerca de 50 000 adeptos de futebol, na sua grande maioria do Atlético de Bilbau (e acompanhado por cerca de 10 milhões de pessoas na televisão. Também não mostraram as faixas existentes, onde se sentavam os adeptos do Barcelona, com a seguinte frase: "We are nations of Europe, Good bye Spain". Em Espanha, fala-se do "erro huamano" como censura. Penso contudo e por causa disso que foi apenas bom senso. Sendo assim e deixando de parte os problemas políticos que existem no seio da sociedade espanhola tanto na relação com o regime monárquico, como à configuração da sua unidade social e política, querem melhor publicidade para o acto eleitoral que se aproxima? Ou não será bem isso que pretendem os políticos dos vários países da Europa. Europeus só ou europeus de cada nacionalismo? Em que ficamos, pergunta-se. O nacionalismo sempre foi um factor de corrosão na Europa (basta pensar-se no contexto das duas grandes guerras), enquanto os nacionalismos espanhóis não o tem sido menos. Acreditar no projecto europeu pressupõe uma progressiva diluição dos nacionalismos. Afinal existe medo de quê? De ser europeus de primeira uns e de segunda outros? Provavelmente o problema situa-se a esse nível derivando por isso da hierarquização tradicional entre os países do velho Continente. Repare-se que do lado de lá da fronteira alguns quando referem Espanha falam de península. Na realidade a Espanha concretiza a maior parte da Península Ibérica, mas não toda ela. Provocação a que nunca demos muita importância, nem devemos dar quando formos todos europeus. Daí enquanto boa parte da sociedade que integra as comunidades autónomas de Espanha clamam pela plena integração na Europa, nós, por arrasto, queremos ser o quê e estar onde?

 

Pormenores sobre o Camp de Mestalla e a foto estão AQUI.

 

publicado por carlosfreitas às 10:52

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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