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Mai 09

No fim de algumas contas feitas, sabendo que as contas nunca estão feitas, vejo-os entretidos na pedinchice de desculpas. Vá lá. Não custa nada, uma espécie de perdoa-me onde se pode levar flores e tudo muito formal. Que não há que pedir desculpas avançam outros. Eu fico na praça a olhar para a triste figura dos flibusteiros e arcabuzeiros que disparam ao menor sinal. Afinal pedir desculpas de quê, a quem? Onde pára a liberdade de expressão? Se a uns se deve aceitar a liberdade de mudar, a outros a liberdade de chamar traidor . Afinal a liberdade pessoal, como a colectiva, admite a possibilidade de mudança, assim como da possibilidade de vituperar. Só não mudam os burros. Pobres animais, cuja inteligência ultrapassa a de muitos bípedes.  Uma admissão que, com muita frequência e reconhecida facilidade, fazem aqueles que mudam ou assim pretendem justificar a mudança pessoal. Embora a mudança de Vital Moreira seja reconhecida por nós como idónea, porque sua  e nada tenhamos a objectar. É essa a liberdade que aceitamos. Não é esse pois o caso. Não chamamos traidor por dá aquela palha. E reconhecemos tantos burros, de um lado e de outro, sem nenhuma idoneidade. Conhecedor (não muito profundo, como é o caso) das técnicas do  combate interpartidário e político, cartilha onde todos os velhos membros das actuais cliques e altas hierarquias dos partidos democráticos se matricularam (que muitos exerceram com notas altas durante a ditadura) observo a praça pública de hoje onde, divididos os bandos, praticam a nobre arte do vitupério. Areia para os olhos de quem? Há um ano atrás Vital Moreira escrevia, num  artigo de opinião no jornal Público (salvo erro e sem link)  o seguinte "É evidente que a vulnerabilidade da opinião pública ao enviesamento informativo e opinativo é tanto maior quanto mais atávica for a propensão para o derrotismo social e quanto menor for o nível de educação e de autonomia crítica na sociedade.", assim sendo cá estamos nós a desempenhar  o que nos pede: autonomia critica. Deixe-se o combate corpo a corpo e debata-se exclusivamente ideias e ideais. Eis o que este ignoto escriba pede. Coisa que não vejo por aí aos pontapés. Já vai longo este nosso Domingo,  em seguida irei dedicar-me à nobre arte dos patins em linha (passatempo recente, entre outros) coisa que coloco a muitos debaixo dos pés. Aos que não sabem conviver com diferenças ideológicas, mudanças de rumo e sentem alguma dificuldade no equilíbrio próprio da liberdade. A quem posso eu exigir desculpas pelo actual estado da questão? Traidores há muitos, lá diria o dos chapéus.

publicado por carlosfreitas às 13:43

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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