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Abr 09

 

Desmemoriar é palavra adequada aos tempos que correm. Se em França retiram o cachimbo a Monsieur Hulot (um gesto que na vacuidade pode ser olhado como um tremendo golpe publicitário, embora não seja isso que está em causa, pois a ordem de retirar o cachimbo à figura eternizada por Jacques Tati tem outras leituras, entre elas a noção de censura), por cá fazem de conta que não se passa nada. Rimos cada vez mais destes higienistas mentecaptos e ideológicos, optimistas chocalheiros e alarves que povoam estes dias. Através deles o riso solta-se e preenche a vida. De resto essa será a sua função. Embora o nosso riso não seja deles que se ri, mas do que eles representam. Olhar o conteúdo deste filme de  Fernando Léon de Aranoa, já velhinho, de 2002, é uma acto salutar que, pelas questões que aflora, é uma boa razão para observar o tempo que atravessamos e os alarves que poluem o quotidiano.

publicado por carlosfreitas às 13:12

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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