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Mar 09

 foto: darkmatter

O fogo lavra mansamente por essa Europa fora. Não me refiro aos incêndios florestais domésticos, estou a falar da contestação social e das formas que vejo assumidas. Do Reino Unido a França os nervos estão em franja. Por cá, povo de brandos costumes, que o nacionalismo  de finais de XIX e inícios de XX tão bem domou, o Estado domina a turbamulta (como chamam aos pés descalços quando em fúria). O trabalho desenvolvido pelos intelectuais do Chiado, com Júlio Dantas à cabeça, orientaram um povo em alvoroço - ou farto dele - na direcção de um regime aparentemente sem ideologia. O Estado Novo, ao juntar no seu seio monárquicos, integralistas, saudosistas, neogarretianos e por aí fora, esvaziou de ideologia, ficando com a parte de leão no condicionamento psicológico do povo, donde dizia emanar, implementando uma política à direita e autoritária. A quintessência da revolta foi assim domesticada tendo por cobertura os devaneios republicanos, com as suas revoltas quase diárias. Exangue a 1ª República ficámos entregues ao viver habitual. O mesmo em que nos encontramos ainda maioritáriamente. Mas todos sabem que a fogueira da Europa chegará. Tarde, como é da praxe, mas chegará. O resto são historiazinhas de "penaltis" e  julgamentos de pequenos tiranetes para nos suavizar o jugo.

publicado por carlosfreitas às 18:24

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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