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Mar 09

O comité e secretário-geral (sempre eleitos por unanimidade), que me lembre, foram sempre os mesmos. Queria lá mais alguém a bolçar bitaites. Never. Nunca pertenci a grupos, embora na meninice me tenham tentado enfiar à força num deles. Resisti. Passei a vender autocolantes numa praça. Era menino. Até que me disseram que a revolução tinha acabado e os autocolantes também. Recordo-me ter visto um general ascender a presidente. Aí disse basta. Um general para mim era abaixo de polícia. Na escola nunca me quiseram para nada. Não queria fazer revoluções acompanhado.Daí ser constantemente demitido. O que até calhava bem, tinha tempo para outras funções, menos escravizantes. Por hábito enraizado normalmente executava pequenas revoluções sózinho. Reunia o comité central e deliberava. A sós. O único grupo em que me recorda ter as cotas em dia era no GIRA. Um  grupelho de revolucionários intelectuais alcoólatras de finais dos anos 70. Os comícios decorriam em tascas, aquelas que o Paulino Mota Tavares, anda a querer reabilitar, assim como os bulícios e por aí fora. Locais de sociabilidade por excelência. Líamos os comunicados em voz alta, o povo bebia e nós pagavamos. Até vê-los erguer a revolução de cinco em cinco minutos (mais ou menos). Embora só pagássemos a primeira rodada. Éramos revolucionários, mas não parvos. A solidariedade terminava ali. Só ali estávamos para observar o efeito da célebre frase (já não recordo quem) que beber um copito era dar de comer a um milhão. Hoje este milhão está no desemprego. Como ex-GIRA apelo ao replantio da vinha. Já que das tascas outros se ocupam. Embora boa parte da aristocracia ande lá pelo Douro a plantar vinhedo do bom . O que se pretende é que o proletariado rural e urbano retorne ao plantio da vinha e  fabrico do precioso néctar. Poderia acabar de vez com a revolução.

publicado por carlosfreitas às 17:34

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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