02
Fev 09

A questão não é de hoje. A dificuldade em criar a partir dos nossos próprios neurónios, embora um prazer intelectual indescritível, arrasta muitos dos candidatos para este tipo de situações.  Um mundo de dúvidas, de muito e muito trabalho, que implica perseverança, falhanços, muitos, e algumas vitórias. Caminhos que se iniciaram e que tiveram de ser abandonados. Reescrever vezes sem conta. Olhando as palavras como um enigma a decifrar. Perceber se o que passamos para o papel é compreendido pelos outros. Se tem consistência, O árduo trabalho de pesquisa, horas infinitas em arquivos e bibliotecas, onde por vezes o acesso é  dificultado. A necessidade de consulta implica sem número de deslocações e de tempo. Dedicação, que na maioria dos casos, é solitária e pouco apoiada pelas instituições. Observar o trabalho crescer, ganhar corpo é  como acompanhar um ser humano nos primeiros passos na árdua caminhada pela vida. Se não é, a mim pareceu-me. Estou apenas no fim de quatro anos, a trabalhar na minha profissão e ao mesmo tempo a construir a minha tese e digo-vos que a perâ pouco teve de doce. Mas vai valer a pena? Apenas em termos pessoais. Essa é angústia que se levanta para muitos. Sobretudo na área de Letras. Para quê? Por isso até compreendo a tentação, embora não a siga. É tudo uma questão de integridade intelectual. Mas afinal de contas o que é isso de integridade intelectual? Exactamente, é um assunto, diria, relativo. Para uns nada vale, para outros é tudo.

publicado por carlosfreitas às 12:38
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Carlos Freitas Almeida Nunes
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