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Jan 09

 

foto: Operárias da Fosforeira Nacional em 1929, de João Sargo.

Começo o dia cedo, embora seja tarde, pelas minhas contas, que não sei onde pára o relógio, que cá em casa já teve cuco, de serviço, e que levou sumiço. Ave agoirenta que, de tão matinal nos dias de semana, desapareceu num belo fim-de-semana. Coisa de somenos, embora importante para antiquários, como eu, que, agora, percorro, incessantemente, procurando substituto à altura. Até agora, nada. O velho cuco levou sumiço e estará agora nos fundos de alguma lixeira municipal. Aceitam-se por isso alvitres para a sua reposição, em lugar de honra, cá em casa. Mas vamos ao que interessa que já é tarde e a Noya está em pulgas para a visita diária aos habituais locais de cheiro caninos, vulgo postes, sebes, esquinas, onde os nossos "amigos" deixam "sms" uns aos outros. Ora o que interessa hoje é assunto de pouca importância, mas levou-me a reflectir sobre uma velha premissa das politicas do Estado Novo, decorria a II Grande Guerra. Refiro a política de racionamento e a promoção dos produtos manufacturados, naquela época era assim que se designavam em Portugal, pela indústria nacional. Ora, duas notas sobre o assunto, enquanto percorria os olhos pelas minhas notícias matinais. Uma aqui e a outra aqui, com uma chamada de atenção para o assunto feito pelo M.E.C., como é mais cómodo escrever. Afinal nem um, nem outro tem razão. Nem uns gostavam do velho sabor da horrorosa cevada, nem os produtos actuais é que são bons. Quanto aos nacionais, bem, já tiveram melhores dias. Continuaria a preferir os fósforos da antiga Fosforeira Nacional, hoje substituída pela Chama Vermelha, embora em boas maos nacionais, nome que me relembra os de produção intensiva chinesa, que por aí andam. Atenção, que ninguém me chame nostálgico. Que eram melhores eram. Mas eis que me deparo com esta nota. E alto lá, embora não seja produto que se consuma matinalmente, segundo penso, é nota de importância.  A velha cerveja, proveniente lá das calendas dessa rudimentar industrialização dos anos Cinquenta, voltou a usar a estola da alta sociedade cervejeira, que embora muito coçada, ainda lhe dá o ar de "velha dama". Recordo que o sabor, actualmente mais suave, mas menos refinado que o antigo, fora substituído, pelas novas gerações de consumidores,  por um outro, de calibre mais suave. Foi, em tempos, a minha preferida. Já não o é porque simplesmente deixei de partilhar com ela bons e maus momentos. Mas mantenho a preferência, se me perguntarem, embora agora me abstenha de lhe provar as manigâncias.

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E mais não digo, por hoje.

publicado por carlosfreitas às 12:16

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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