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Jan 09

 

Foto de Ana Rita

Mero acaso trouxe ao meu conhecimento que o "Memorial de Camões", existente em Coimbra, não se encontra completo. Para quem não saiba o referido memorial encontra-se, depois de peripécias múltiplas, que não vem aqui ao caso relatar, na Avenida Sá da Bandeira, desde o ano de 2005. Local apropriado, embora a localização original também não fosse de menosprezar, dado que a antiga Alameda do Infante D. Augusto, segundo consta, já não faz parte da velha Alta de Coimbra. Para quem não saiba a referida Alameda dava acesso directo à velha Universidade, onde, numa zona ajardinada, ao lado da Porta Férrea, a Mocidade Académica o colocou em 1881. Fiquei hoje a saber que o monumento foi desfalcado de 131 caracteres em bronze que originalmente dele faziam parte. Do conjunto constavam três frases que rezavam assim: "Os Estudantes de 1879 a 1871", um outro "Cesse Tudo o que a Musa Antiga Canta Que Outro Valor Mais Alto se Alevanta"  e, por último, "Melhor é Merece-los Sem os Ter, Que Possui-los sem os Merecer", frase que viria alimentar, como se deduz, muita da pilhéria académica ao longo de décadas. Por mero acaso, a última frase, mesmo que só, ficaria, de novo, muito bem na base do referido Memorial. O Poeta dos Poetas de certo que agradeceria e nós, sem sombra de qualquer dúvida, ficaríamos com o memorial completo. É que a frase, em falta, faz falta. Vá se lá saber porquê, mas é sempre melhor merece-los sem os ter, do que tê-los, sem os merecer. Embora o leão da estátua ateste bem a falta dos referidos caracteres e do resto. Basta lá ir e reparar. Mas será só a ele, pergunta-se. Apela-se a que sejam repostos os caracteres, mesmo outros, dado que os originais desapareceram e ninguém sabe deles. Um memorial completo é sempre outra coisa.

publicado por carlosfreitas às 14:23

O meu amigo faz muito bem em lembrar este velho "Memorial a Camões" e das peripécias por que passou e, pelos vistos, tem passado. Há que falar até sermos ouvidos. Infelizmente, estes assuntos interessam somente a uns poucos da terra. E muito poucos, por sinal. Sim! Só da terra! Inveja? Santolas ocas e autistas? A maioria fala muito de cultura mas, na realidade, é só para inglês ver. Fica bem na carapaça vermelha e reluzente umas letrinhas aqui e acolá... Sim, porque não é só na política que temos santolas ocas... e autistas!
JP a 9 de Janeiro de 2009 às 01:00

Nem foco propriamente todas as peripécias que conheço sobre o dito, foi apenas a última (espero, eu). Claro que o desaparecimento dos caracteres originais, facto, que não está aqui em causa, talvez se tenha devido a um "trabalho" insano promovido pelas conhecidas "brincadeiras "académicas" coimbrãs, que "por obra e arte" as fizeram "desaparecer", como "reza" a lenda. Colocar lá outros, em substituição dos originais, colocando um pouco da verdade do memorial original, não seria hoje de mau tom. Ora como o actual vereador da cultura de Coimbra, já não cursa história de arte, isso agora já não interessa nada, como dizia a outra, de triste memória.
carlosfreitas a 9 de Janeiro de 2009 às 10:48

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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