04
Jan 09

O escrevinhador, que se preza de aqui debitar umas quantas alarvidades sobre uma parte do mundo a que dedica algum do seu interesse pessoal e tempo (esta coisa do tempo é importante), resolveu propagandear que não se movimenta através desse meio de transporte (público??) designado como táxi, e sobre o qual, personagens lisboetas, denotam profundos conhecimentos. Não somos influenciados pelos dislates, pagos ao quilómetro, debitados pelos condutores dos ditos, vulgarmente designados ou conhecidos e, reconhecidos, entre os seus conterrâneos, como fazedores (ou transportadores, seria mais apropriado) de opinião. Segundo reza, a lenda, atribuem-lhes o cognome de "vox populi". Assunto que não mereceria mais que uma reflexão simplória (a nossa) sobre o encerramento das Faianças Bordallo, nas Caldas da Raínha. Essa sim teria algo de "vox" embora não totalmente "populi", a não ser, na medida exacta, que a "vox" era manufacturada (reparem que não escrevi manipulada) por eles, os "populi". Dai que as opiniões intensamente derrimidas nos bancos dos táxis nos passem completamente ao lado. Não precisamos, por isso, de conhecer determinados ditirambos que são debitados por essas excelsas figuras designadas, consoante, como motorista ou condutor (o correcto políticamente é importante) de táxi para entender os meandros (complexos) que famílias chiques, pretensamente emissoras de opinião livre, residentes na excelsa capital do reino e arredores, procuram urdir e que se deixam transportar pelos ditos, fazendo eco dessa sabedoria a que chamam popular emitida pelos seus serviçais. Somos por isso, de forma razoávelmente hilariante, observadores, longínquos, imparciais, embora pouco honestos, desta realidade. Motivo que pelo qual não defendemos o sistema de quotas atribuidos à "vox populi" sobre, por exemplo, o reconhecimento de uma pretensa necessidade da emergência de um novo Salazar (alguns, na melhor da hipóteses, até defendem mais que um) e outras lebrices (de lebres) semelhantes divulgadas por esta tribo. A este país bastou um - é nossa opinião. O que está morto. Sendo assim deixem de ter medo das consequências sociais que possam advir de uma mais que prevísivel desregulamentação do mundo até agora conhecido. Não tenham medo da rua. Somos demasiadamente civilizados, democráticos e bovinamente ensinados para que agora tenhamos que aturar os que aparecem pretensamente a avisar os incautos sobre os perigos de uma opinião pública livre, democrática, que reivindica o direito a existir, para além do que a eles lhes convém e que pode cair sobre o mundo que tão árduamente construíram e defendem. É que uma opinião que não sendo construída, nem sustentada, nos bancos dos táxis, pode ser perigosa. Nada como um "passeio dos tristes" domingueiro, para lhes aliviar essa tensão. Nada como um baton a massajar-lhes os lábios para que continuem a imaginar viver num mundo aparte.

publicado por carlosfreitas às 11:47

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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