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Dez 08

Foto gdq_75

Rememoro o que aconteceu ao projecto denominado megalómano de Baldaque da Silva  e acarinhado por Ezequiel de Campos, enquanto que em Leixões se dava início ao futuro porto. Na Figueira da Foz, cujo porto fluvial data de meados do século XIX, exigia-se a sua mudança, nos primórdios do século XX, para uma zona marítima, de águas profundas, em terrenos condicionados pelo todo poderoso, na época, Couto Mineiro. Em Leixões não existia sequer porto e o que se ergueu não era, nem foi, considerado megalómano. Perspectivas de um país condicionado pelo Terreiro do Paço,  onde o investimento público é dirigido a partir da capital. A construção do futuro prolongamento do molhe irá estar na origem de tudo o que é relatado aqui. Apenas gostaria de ver o assunto esclarecido, falado pelos diversos interesses que se movimentam na área. A política do avançar primeiro e discutir depois está ai, parece-me. Uma obra desta envergadura, pensando bem, bem o merece. Já os primeiros molhes exteriores (cuja a inauguração das obras aconteceu a 10 de Julho de 1966) reduziram, não a praia, que essa aumentou como sabemos, mas o belíssimo "ar do tempo" que a Figueira da Foz, reproduziu até meados dos anos sessenta,  face no mais espúrio e lesivo acto que foi cometido contra a cidade turística. Entre o turismo sedentário e o desenvolvimento portuário optou-se pelo desenvolvimento do porto, motivado pela construção das papeleiras a sul, geradoras de emprego, dai a opção, numa terra que viveu ao sabor do mar, embora muitas vezes de costas voltadas para este, pela construção dos primeiros molhes. O que aconteceu, na sua real dimensão, embora visível, nem sequer foi estudado nas diversas vertentes. Pese embora a cidade, genericamente, e os figueirenses, em particular, tenham sentido os efeitos do desaparecimento da sua bela frente de mar. A cidade precisa do prolongamento do molhe? É a pergunta que alguns gostaríamos de ver respondida, ou de conhecer melhor os contornos do futuro acrescento. Mas isso parece uma miragem nesta terra "abençoada" por um areal imenso. Estando fora de questão a construção do porto marítimo, pergunta-se o que fazer para desenvolver o sector portuário actual. Ficam muitas perguntas por fazer. Muitas dúvidas com necessidade de esclarecimento. Num momento em que o Estado abre os cordões ao investimento o prolongamento dos molhes é opção não desprezível para a Figueira da Foz. Há muito tempo que os intervenientes locais nesta área a solicitam e lutam por ela. Talvez  seja uma boa opção para uns, talvez não o seja para outros. Mas, pelo que parece, a construção do prolongamento dos molhes na Figueira da Foz avança, basta-nos olhar para o amontoado de máquinas no molhe norte. Daí a pergunta: o que poderá advir da extensão do molhe norte para o futuro da cidade turística e do seu porto.


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Carlos Freitas Almeida Nunes
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