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Dez 08

 

Descubro, consoante o avançar da idade, leio algures que tal é habitual, seja isso, então, um incorrigível tradicionalista. Deduzo que sempre assim fui, daí não acreditar muito na explicação da idade para justificar, no meu caso, a evolução pessoal. Sou assim uma espécie de conservador face ao avanço do "fast food", à perca de qualidade de vida, do tempo apressado, da horrorosa política de edição livresca seguida em Portugal, onde qualquer edita ou manda editar ou pede para que lhe editem um livro, por exemplo (não vem a propósito, mas é assim). Sou contra as comodidades oferecidas pelas grandes superfícies, fugindo - a sete pés - dessa uniformização, proposta nas últimas décadas. Descrente no número como forma de salvação mirífica do mundo. Estou por isso demasiado desconfiado com os avanços em determinados campos da ciência e da técnica que não conduzam o homem para um mundo, por exemplo, sem modificações genéticas. Contra este homem que de forma insistente procura desafiar o caos. Tradicionalista igualmente contra a banalização do presente que é proposta. Ontem, ao reparar que Odete Santos, cujo  visual na televisão, que estava sem som, dai ter reparado apenas no aspecto visual, me levou a pensar que, para além da sua saudável alergia aos pressupostos erguidos para a sua idade, e até preconceitos, talvez alguns achem falta de sentido estético, mas isso é um outro assunto, não deixa igualmente de ser uma tradicionalista. Procurando no passado um símbolo para usar no seu presente. Um boné. Recordem-se que bonés há muitos, como diria Vasco Santana. Como nem todos podemos ser belos, atraentes, jovens, e assim nos mantermos, mesmo com a ajuda da estética, e ele há casos por aí que dão imensa vontade de rir, a ex- deputada do Partido Comunista, surgia no écran tal como é. Ao natural. Despida de preconceitos quanto à idade que lhe diz respeito, mantendo-se ferozmente tradicionalista, usando um boné popularizado por determinada figura histórica chinesa, embora de tons verdes. Penso contudo que o seu tradicionalismo não é igual ao meu. Por vezes também ando por aí de boina. Mantenho uma determinada tradição.

publicado por carlosfreitas às 13:18

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Carlos Freitas Almeida Nunes
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